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Categoria
Turismo


Cerca de 180 km, entre os municípios de Itacaré e Canavieiras, formam a chamada Costa do Cacau. Reduto de belezas naturais, rios margeados por fazendas de cacau, praias de vastos coqueirais intocadas em meio à Mata Atlântica e densos manguezais, a região encanta pelas paisagens e pela opulência dos anos áureos do chamado “ouro negro”. A arquitetura preserva o casario colonial dos séculos XVIII e XIX, em ruas calçadas de pedras, igrejas ecasarões antigos, reduto de parte importante da História Nacional e que remontam ao período em que a produção e exportação cacaueira eram a atividade primordial da economia brasileira. Cenário de filmes, novelas e romances – grande parte da obra do escritor Jorge Amado, traduzido em diversos países, é ambientada em Ilhéus, principal cidade da Costa -, a região, além de reduto histórico, é destino certo para quem procura diversão e contato direto com a natureza.

Canavieiras, Ilhéus, Itabuna, Itacaré, Santa Luzia, Una e Uruçuca oferecem opções variadas aos visitantes. A abundância de praias inclui desde picos para a prática de surf e pontos de pesca – em especial do robalo, em Canavieiras – a águas calmas e verdadeiros paraísos desertos. Cachoeiras radicais – como a do Cleandro, em Itacaré –, rios e corredeiras são um convite à prática de esportes de adrenalina e aventura, como rafting, rapell e canoagem.

As cidades da Costa do Cacau cresceram sob a influência da cultivação do fruto, que logo se tornou muito utilizado em todo o país. Ainda que com moderna infra-estrutura hoteleira e turística, a região mantém o ar de cidade do interior, de vilarejo de pescador, de simplicidade e tradição.

Entre as cidades baianas da Costa do Cacau, você vai encontrar praias para todos os gostos: desde as desertas, passando pelas aldeias de pescadores, as praias calmas e perfeitas para banho e prática de mergulho, as badaladas, com muitos bares e restaurantes na beira da orla, até praias privadas, como é o caso da praia que cerca o Resort Transamérica, na ilha de Comandatuba. Do mais simples ao mais luxuoso, é assim a Costa do Cacau.

As cidades mais procuradas e famosas da orla, por sua agitação ou por serem quase desertas, são Itacaré, Una, Canavieiras, e Ilhéus, que mantém as tradições baianas vivas. No interior encontramos Santa Luzia e Uruçuca, para quem quer uma temporada aproveitando as delicias e o sossego do campo.

Atrativos
Igrejas seculares de Ilhéus
Em meio às inúmeras belezas naturais e seus vastos quilômetros de praia, Ilhéus reserva boas opções para os fãs do turismo urbano, com doses de história e religião. Uma das principais atrações da cidade é a Catedral de São Sebastião; também um dos mais bonitos e grandiosos templos católicos do país. Construído em 1931, somente em 67 a obra foi, definitivamente, concluída. Vistosos vitrais artísticos, abóbadas e colunas preservam o melhor do estilo neoclássico e dá o tom majestoso da fachada em um belo contraste com o seu interior, discreto e singelo. Na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, onde também funciona o Convento de mesmo nome, é o interior que chama a atenção, graças ao riquíssimo acervo sacro que enfeita e ilumina o altar. A arquitetura, em estilo neogótico, é uma atração a mais. No Convento, funciona um colégio desde 1916, sob a direção das Irmãs Ursulinas. Datada de 1556, a Igreja Matriz de São Jorge dos Ilhéus é a mais antiga da cidade. Sua arquitetura primitiva encanta pela beleza, imponente frente à ação do tempo, e vale a visita por si só. O local também serve de abrigo ao Museu de Arte Sacra, fundado em 1970 e que funciona anexo à igreja. No vasto acervo secular, valiosas imagens barrocas, alfaias e documentos sacros. Em destaque, a imagem de São Jorge e um enorme painel contando toda a história da cidade.

Festas religiosas
Fiel às tradições religiosas, a população de Canaveias comemora várias festas no decorrer do ano. A mais importante delas homenageia São Boaventura, o padroeiro da cidade, com apresentação de corais, missas e desfiles, dentre outros atrativos que primam pela riqueza cultural. Os festejos dedicados ao santo são sempre muito bonitos, uma vez que Canavieiras é a única cidade do mundo a ter São Boaventura como padroeiro. As celebrações começam no dia 1º de julho e seguem até o dia 14 deste mesmo mês, com destaque especial para trezena realizada na Igreja Matriz. No mês de janeiro, acontece a festa do Bom Jesus dos Navegantes; o Dia de Reis, com apresentação do “Boi Duro”; e a tradicional Puxada do Mastro de São Sebastião, nos dia 11 e 20, em homenagem ao santo. Em junho, do dia primeiro ao dia 13, tem a festa de Santo Antônio da Atalaia e Oiticica. 

Banho da Paixão
Com a proximidade do feriado da Paixão de Cristo, na Sexta-Feira Santa, moradores de Olivença e Milagres, em Ilhéus, encenam rituais de proteção e fé, apoiados no poder sagrado das águas. Homens e mulheres, imbuídos de fé católica e fundamentados em mitos religiosos, se revezam, nos turnos matutino (mulher) e vespertino (homem), em mergulhos e nados nas praias das citadas localidades, fiados na crença de que mal algum se abaterá sobre eles durante o ano inteiro. A origem do costume é discutida, mas sabe-se que a popularidade dos banhos da paixão remonta ao lazer de tribos indígenas e povos africanos.
 
Trilha dos Diamantes
A Trilha dos Diamantes, Santa Luzia, fica dentro da Fazenda Boa Esperança e tem cerca de 4 km, no trajeto que leva até a Cachoeira Cruz de Pia e o Poço dos Escravos. A cachoeira, com aproximadamente 4 m de altura, é resultado do trabalho escravo na época do garimpo de diamantes – abriu-se uma fenda na rocha para desviar o curso do rio para um poço, com a finalidade de lavar o cascalho à procura das pedras preciosas. No retorno há, ainda, uma opção de trilha passando pelo Povoado de Cruz de Pia, envolto em muitas histórias e misticismo. O Poço dos Diamantes, com 5 m de profundidade, até bem pouco tempo explorado como garimpo, comporta duas piscinas de água morna em tons azul turquesa, graças à presença de rochas calcárias. Próximo à porteira de entrada da Fazenda, em meio a rios e a um complexo de lagos com piscinas naturais, a Lagoa Dourada é uma das atrações mais requisitadas, apresentando águas cristalinas de cor azul, e circulada pela sombra da Mata Atlântica e de vistosos cacaueiros. O passeio, com duração de um dia inteiro, proporciona banhos mágicos e revigorantes, além de belezas singulares, presentes em suas paisagens. Dicas: Para fazer todo o percurso, há duas opções: a pé ou a cavalo, que pode ser alugado na própria fazenda. A visita deve ser programada com antecedência

Povoados de Una
Considerada uma das áreas de maior importância para a conservação ambiental no mundo, a região de Una compreende alguns dos lugares mais procurados do sul da Bahia. Os Povoados de Comandatuba e Pedras de Una são bons exemplos das belezas e da tranqüilidade da região. Em Pedras de Una, pequena vila situada a 9km da sede, apenas uma conversa com os pescadores é suficiente para alugar um barco e garantir a diversão. A dica é aproveitar essa hospitalidade e fazer um belo passeio pela foz dos rios Una e Maruim, excelentes para a pesca de linha. A linda praia de Itapororoca também tem que entrar no roteiro. Com uma completa infra-estrutura, o Povoado de Comandatuba oferece ao seu visitante, além de todas suas belezas, um aeroporto, pousadas, restaurantes e artesanatos, com uma escola para confecção de tapetes e cangas. O lugarejo, localizado entre Una e Canavieiras, ainda apresenta a Igreja de São Sebastião e a tradicional "Festa da Puxada de Mastro".

Sítio Histórico de Canavieiras 
No centro de Canavieiras, encontra-se o Sítio Histórico Governador Paulo Souto, com construções coloniais datadas dos séculos XVIII e XIX. Os belos casarões, restaurados e preservados pelo patrimônio histórico, permitem um saudoso retorno ao passado. O local serviu de cenário à novela da Rede Globo, “Porto dos Milagres”. Este conjunto arquitetônico secular, debruçado sobre o Rio Pardo, oferece boa infra-estrutura de bares, restaurantes, pier de atração e área de eventos com shows artísticos variados nos fins de semana. Vale a pena conferir também o artesanato local. O sítio fica na rua Felimpo Melo, margem esquerda do rio Pardo. 

Casa de Cultura Jorge Amado
Cidade natal de Jorge Amado, Ilhéus inspirou variados romances assinados pelo escritor. O Bar Vesúvio, por exemplo, foi cenário recorrente em obras clássicas, como “Gabriela Cravo e Canela”, assim como o cabaré Bataclan, antigo reduto de personagens. A cidade, ainda hoje, se mostra agradecida às homenagens imortalizadas na bibliografia de Amado. A Casa de Cultura em seu nome é um bom exemplo disso. Construída em estilo neoclássico, em 1928, por seu pai - João Amado de Faria -, a casa era a residência oficial da família Amado. Somente em 1988, foi transformada na Casa de Cultura que leva o nome do renomado escritor baiano, cujas obras já foram traduzidas em 48 idiomas e publicadas em mais de 50 países.
Situada no Centro Histórico de Ilhéus, a Casa, de grandes salões e escadarias, abriga a Fundação Cultural, a Academia de Letras e o Instituto Histórico de Ilhéus. Seu valor simbólico é imensurável: foi quando ainda residia aí, que Jorge Amado escreveu o romance “País do Carnaval”. A marca da Casa de Cultura é uma imagem de traços forte, que mistura a figura do escritor com a do seu Santo Protetor, São Jorge, e de Oxossi - entidade do candomblé em representação às matas -; condizente com as crenças de Amado. O acervo guarda verdadeiras preciosidades da sua vida e carreira. 

Engenho Santana
A bordo de uma típica chalana (embarcação de fundo chato), o visitante poderá contemplar toda a exuberância da região, remontando aos áureos anos da produção cacaueira, em um passeio de aproximadamente 4 horas, na cidade de Ilhéus. Logo no início, é possível avistar a Av. Dois de Julho, antiga zona portuária e comercial que hoje abriga bares, restaurantes, o porto antigo e o hidroporto. Em seguida, a chalana cruza a ponte Lomanto Júnior, que liga Ilhéus ao bairro Pontal. De brinde, o visitante é agraciado com as belezas históricas da região, como a Enseada Sapetinga e o canal Fundão, construído pelos jesuítas para facilitar o escoamento da produção de cacau da Bacia do Rio Almada (antigo Rio Taipe).
No caminho que leva ao povoado do Engenho de Santana, antigas terras da Condessa de Linhares, filha do então Governador Geral, Mem de Sá, a paisagem é recortada por manguezais. Ao aportar na vila do rio do Engenho, vale uma visita na Capela de Santana, uma das mais antigas capelas rurais do Brasil. Em estilo neoclássico, data de 1548. Os mais ávidos por História não podem perder a oportunidade de reviver um antigo passeio feito pelos portugueses na colonização do Brasil, no sítio histórico do Rio do Engenho, onde foi instalado o primeiro engenho de cana-de-açúcar do país. O cenário ainda se encontra inteiramente preservado.
Na volta, a chalana desce o Rio do Engenho até o encontro com o Rio Cachoeira. Na margem direita, no Horto Havaí, uma reserva particular de fauna e flora, os turistas são recebidos com drinques de boas vindas. A natureza é preservada graças ao trabalho de recomposição da flora nativa através da reintrodução de espécies da Mata Atlântica. O local é repleto de corredeiras e o banho no Rio do Engenho é imperdível. A culinária, à base de frutos do mar e galinha caipira, é mais um atrativo. Dica: se tiver a oportunidade de visitar a região no mês de novembro, não perca a tradicional Festa de Nossa Senhora de Santana. Como chegar: O embarque é na Praça Maramata (bairro do Pontal/Ilhéus). Segue-se de chalana pelo rio do Engenho, até o povoado de Engenho de Santana

Estância Hidromineral de Olivença 
Fundada pelos jesuítas em 1700, Olivença era uma antiga vila indígena situada sobre uma colina de vista deslumbrante. Ainda restam traços deste período, como a igreja de pedra em invocação a Nossa Senhora da Escada. A Estância é conhecida pelo grande valor medicinal de suas águas que, segundo contam, tem potencial curador equivalente ao da famosa estância de Vichy, na França. Ao seu redor, uma completa estrutura de pousadas, bares e restaurantes, pronta para receber bem o turista. Aí também está localizado o Balneário Tororomba, com piscinas de águas correntes indicadas no tratamento de doenças de pele e problemas no aparelho digestivo. O lugarejo abriga, ainda, praias com inúmeros barzinhos, cabanas e restaurantes. O chamado "Véu da Noiva", uma cortina artificial de água doce, é excelente para o banho. A agitação fica por conta de animadas manifestações populares, como a tradicional puxada do Mastro de São Sebastião, que atrai grande número de turistas no mês de janeiro. Dica: Pra quem gosta de praias pouco concorridas, a pedida é Jarí/Cana Brava, ao sul de Olivença. O lugarejo, alvo de grandes investimentos hoteleiros, é palco de resorts chiques e requintados a beira-mar. Como chegar: BA-001 de Ilhéus em direção a Una, 14 km. A Estância está localizada em Olivença, distrito de Ilhéus. 

Distrito de Rio do Braço 
Cenário das narrativas épicas de Jorge Amado, o Distrito de Rio do Braço, em Ilhéus, é berço da produção cacaueira e prosperou durante cinco décadas, se configurando como uma das áreas mais nobres de toda a região. A cidade fervilhava e o comércio de secos e molhados era intenso, impulsionado pelo alto fluxo de forasteiros e negociantes turcos, sírios e libaneses. Com a construção da estrada de ferro Ilhéus-Ubaitaba pelos ingleses, em 1905, intensificou-se o tráfego de população flutuante e o Distrito ganhou novas instalações (destaque para a Coletoria Estadual, em 1950.), direcionando o seu progresso. Hoje, restaram apenas belas ruínas de valor histórico - salvo uma antiga estação de trem e uma bela mansão arquitetônica construída por italianos -, mas o Distrito encanta, e muito, pelas belezas naturais: matas, rios e cachoeiras; palco da novela “Renascer”, da Rede Globo. Como chegar: Saindo de Ilhéus, percorrer 5 km pela BA-001, sentido norte; virar à esquerda para a rodovia BA-262, até o km 20. Daí, seguir 3 km por uma estrada de terra até o distrito de Rio do Braço, passando pela vila de Banco da Pedra. 

 

 


Praia Deserta em Itacaré


Serra Grande em Uruçuca


Transatlântico em Ilhéus


BA 001 rumo à Canavieiras

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