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Adonias Filho

Adonias Aguiar Filho, jornalista ,crítico ,ensaísta e romancista nasceu na Fazenda São João, povoado de Pirangi (hoje Itajuípe) à época município de Ilhéus, Bahia em 27 de novembro de 1915 e faleceu na mesma cidade em 2 de agosto de 1990. Foi eleito em 14 de janeiro de 1965 para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras ,tendo sido recebido por Jorge Amado na casa de Machado de Assis. Adonias Filho foi uma figura bastante requisitada pelos órgãos de cultura. Foi ,entre outras coisas ,diretor da Biblioteca Nacional (1961-1971) , Diretor da Agência Nacional do Ministério da Justiça , presidente da Associação Brasileira de Imprensa (1972) e do Conselho Federal de Cultura (1977-1990). Já dando a perceber que se trata de um baiano de peso.

Poderíamos incluir os romances de Adonias Filho entre os de "tensão interiorizada "(GOLDMANN: 1967), pois são romances psicológicos, feitos de sombra e indefinição , em que o memorialismo ,o intimismo e a auto-análise compõem um quadro investigativo do passado , preso à memória involuntária ,como a definiu Proust em sua obra Em busca do tempo perdido. Proust faz uma oposição entre a memória involuntária (mémoire pure de Bergson ) e a voluntária.

Essa é a memória voluntária , a lembrança voluntária da qual se pode dizer que as informações que nos proporciona sobre o passado, não conservam nada dele. (BENJAMIN : 1975:39). A zona cacaueira do Sul da Bahia ,assim serviu de base, via memória involuntária , para a incursão à alma do povo primitivo que habitou a região, em total sintonia com os próprios movimentos da terra. O telúrico , o bárbaro , o primordial como determinantes prévios do destino são os conteúdos que transpõem a prosa elíptica de Os Servos da Morte (1946), Memórias de Lázaro(1952) e Corpo Vivo (1963).No mesmo espírito foi elaborado O Forte ,de ambientação urbana.(BOSI:1976:484). Adonias Filho pertence à corrente de renovação da estrutura do romance, quando este funde personagem-ação-ambiente e ,em termos de solução estética apresenta recursos retóricos como o monólogo , o diálogo e a narração , sintonizados , a serviço da exposição subjetiva e , muitas vezes ,lírico-trágico da condição humana ;condicionada , se é possível afirmar ,a poderes além do psicológico ,como a Graça ou o Destino.

Relação das obras mais importantes publicadas por Adonias Filho:
1946 - Servos da Morte
1952 - Memórias de Lázaro
1962 - Corpo Vivo
1965 - O Forte
1965 - A Nação Grapiúna
1968 - Léguas da Promissão
1971 - Luanda Beira Bahia
1976 - Sul da Bahia Chão de Cacau
1983 - A Noite sem Madrugada

Sendo Adonias Filho é continuador de uma produção ficcional que começou nos anos 30, sem ser porém neo-realista , em que predomina a formação religiosa dos escritores em seus romances de atmosfera . Outro dado a ser levado em conta na obra adoniana é a presença de tradições indígena e africana; promovendo para desfazer o olhar etnocêntrico que caracterizou a nossa colonização e conseqüentemente a produção intelectual dos escritores brasileiros.

Adonias Filho utiliza em suas narrativas muitas divindades negras como Ogum presente em várias etnias africanas como "Yorubá","nagô","angola", "Gêge"(JÚNIOR:1995) .Este é o orixá da guerra e da agricultura ;um Deus capaz de descer de sua condição sagrada para defender os homens.

Quando Adonias Filho elege as tradições indígena e africana do complexo cultural brasileiro para seu universo representado ,configura-se uma opção de autoria anti-etnocêntrica. Conscientemente, ele capta vozes não-hegemônicas e ilumina-as no tecido romanesco , adotando com elas um pacto de cumplicidade narrativa e Cultural. Assim, Adonias Filho, ao dar voz aos seus personagens ,com suas culturas seja de origem indígena , seja de origem africana promoveu para a aceitação da formação híbrida da nação brasileira e conseqüentemente da Nação Grapiúna.

 

 

 


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