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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 04/04/2009
Justiça e política

Leio no jornal o desabafo do juiz Dr. Marcos Bandeira, ao se afastar da Vara de Execuções Penais, onde por muitos anos imprimiu um ritmo de trabalho invejável; diz não acreditar numa mudança no sistema da justiça e da segurança pública. Eu também não acredito. Que as coisas mudaram, para pior, não há nenhuma dúvida. O avanço da criminalidade e da impunidade embora, vez por outra, a justiça aja, até, com exagero, como foi o caso da dona da DASLU, a empresaria Eliana Tranchesi; o pior crime que pode ser cometido por um indivíduo é aquele contra vida; a Eliana não cometeu nenhum crime de morte e, se sonegou impostos, que se tome os seus bens; condena-la a 94 anos de prisão, é um brutal exagero. O jornalista Pimenta Neves matou a amante pela costas e, quando ela se encontrava no solo, desferiu outro projétil, na cabeça. Pois bem, esse cidadão foi a júri e foi condenado, se não me engano, a 17 anos de prisão; tranquilamente saiu do Tribunal de Júri diretamente para casa, onde se encontra até hoje. Não se faz mais justiça como antigamente, como não se faz muitas coisas mais, neste país.
Deixando esses problemas da justiça e da segurança pública, vamos para outro terreno terrível, que é o da política. De 2005 para cá, rara a semana que não explode um escândalo; são tantos que até já nos esquecemos. O mais novo envolve o “brilhante” Senado Federal, com figuras “ímpares”, como Zé Sarney, Collor de Mello, Renan Calheiros, Romero Jucá e muitos outros. O novo escândalo envolve funcionários altamente privilegiados, com 700 deles ganhando mais 25.000 reais. São mais de 7.000 funcionários para atender 81 senadores. Muitos funcionários recebem horas extras mesmo sem trabalhar. Foram criadas 181 Secretarias, para distribuir entre os apaniguados dos senhores senadores; há secretaria para cuidar das passagens dos nobres senadoras, outra para cuidar da garagem e, por aí, vai. Uma brilhante farra com o dinheiro público. O orçamento do Senado para o presente ano é de 2,7 bilhões de reais, convenhamos, muito dinheiro para pouco trabalho e muita falcatrua. O Senado tem um serviço médico com todas as especialidades mas, se algum funcionário quiser procurar um médico particular, não tem problema, o Senado reembolsa e, em 2008 foram gastos 59 milhões de reais com tais reembolsos. Vá, prezado leitor, procurar um médico particular e, depois, pedir reembolso ao SUS! Às vezes questiono da necessidade do Senado; em muitos países o sistema é unicameral, é a Assembléia Nacional; mas isso não mudará, porque é um excelente emprego e por 8 anos, com todas as mordomias possíveis. Os políticos vão acabar com isso?
Recentemente, numa ampla entrevista à revista Veja, que tivemos a oportunidade de comentar, o Senador Jarbas Vasconcelos abriu as entranhas do Senado e do seu partido, o PMDB e ninguém teve a petulância de desmenti-lo. Hoje, acredito que apenas esse Senador, mereça o meu respeito; nem mesmo os do meu partido, pois não tiveram a coragem de se insurgir contra esse  estado de  coisas, que não apareceu agora, já vindo há muito tempo.
Infelizmente não se vislumbra uma grande mudança; certa feita o brilhante cronista Roberto Pompeu de Toledo disse que “o próximo Congresso, certamente será pior que o atual”. Quem acompanha o cenário político nacional acaba concordando. Que o quadro político piorou após a mudança para Brasília, não há qualquer dúvida; aumentaram a corrupção e a mordomia.
E assim, leitor, vamos tocando a vida; precisando dos políticos, pois decidem a nossa vida na fabulosa Brasília e. se houver necessidade, bater às portas da justiça, morosa, também com ilhas de corrupção. Já tive maiores esperanças no nosso grande país.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 30/03/2009
Sem educação, não vai

Desde a época dos governos dos militares que o Brasil vem ocupando uma boa posição entre as maiores economias do mundo; o tamanho do seu território, a incomensurável riqueza que se encontra no solo e no sub-solo, os mananciais de água doce que metem inveja à maioria dos países; as belezas naturais da orla e do interior, tudo faz de nosso país uma terra abençoada; além de tudo isso, a ausência daqueles fenômenos naturais que ameaçam, frequentemente, algumas nações até mais ricas que a nossa, como furacões, terremotos, vulcões, coloca-nos em uma posição deveras privilegiada. Mas escorregamos feio no quesito educação; não parecer haver falta de escolas, talvez um má utilização quanto aos horários; não parece faltar professor mas, provavelmente, uma baixa qualificação ocasionada, entre outras coisas, por uma crescente desmotivação.
As estatísticas mostram que o número de analfabetos cai todos os anos, o que é verdade mas, por outro lado, sobe a cada ano, o número de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que sabem rabiscar o nome, talvez consigam ler alguma coisa mas, são incapazes de interpretrar um texto. A UNESCO, que é o órgão das Nações Unidas que cuida da educação, da ciência e da cultura, estabeleceu, no ano de 2000, algumas metas a serem atingidas até 2015 por 129 países, entre os quais, o nosso mas, a conclusão é que não conseguiremos atingir essas metas; de cada 100 alunos que ingressam no l° ano do ensino fundamental, 20 não chegam ao 5 ano; temos a pior meta escolar  entre os países da América Latina. Não paira nenhuma dúvida que a alfabetização está na base do desenvolvimento econômico.
Mas a educação não se prende, apenas, ao fato de ler, escrever e interpretar o que leu; a educação é algo mais complexo, cujo aprendizado começa em casa e se continua na escola e em todas as ações da vida; a falta de uma adequada educação constitui a gênese da maioria de nossos problemas, inclusive a violência; como é que o indivíduo vai ter respeito pela vida, pelo patrimônio público, pelo meio ambiente, se nunca lhe foi ensinado isso.
Há poucos dias passava pela ponte que liga a praça Camacã ao bairro Góes Calmon e estava observando as “baronesas” encalhadas entre as pilastras da ponte; em cima dessas “baronesas”, uma montanha  de garrafa plástica, copos plásticos e outros detritos; o indivíduo julga-se no direito de transformar  as ruas e logradouros públicos em depósito de lixo; liga-se o som a toda altura, a qualquer hora do dia ou da noite, pouco se importando que incomode o semelhante; é bonito falar em cidadania, muito usada quando se refere aos direitos e, completamente esquecida, quanto aos  deveres. Povo educado procede assim? Claro que não.
Já que falamos em escola, é bom lembrar, aos mais novos, que já tivemos, no Brasil, uma escola publica de alta qualidade; hoje, o ensino nessas escolas deixa muito a desejar; também ocorrem agressões constantes aos professores; aluno portando arma de fogo, nas escolas, é fato corriqueiro; os traficantes elegeram as escolas como um dos seus alvos favoritos, disseminando o tóxico entre os  estudantes.
Quando governantes sérios e preocupados, efetivamente, com o futuro de seu povo, elegem a educação como prioridade, os frutos serão colhidos em algumas décadas; assim aconteceu com a Coréia do Sul e outros países. Como esperar uma grande ação na área da educação, por parte de um governante, que se vangloria de nunca haver lido um livro? Que belo exemplo para a juventude de um país!

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 21/03/2009
Está difícil

Bem que gostaria  de  tratar de assuntos amenos, proclamar otimismo e dizer que  tudo  vai  bem ; ocorre que o dia-a-dia  está  difícil e, para  algumas  situações, não vemos  saída tão cedo. Duas  décadas  atrás , já  participava  de seminário e de outros  eventos locais, para  tratar  da questão violência, que avançava nas  cidades  e nos  campos e preocupava boa  parte  da população; injetava-se  palavras de ânimo e chegávamos  a acreditar que tudo aquilo seria passageiro e uma nova  era  surgiria, com mais  fraternidade, mais  respeito ao próximo e ao bem público, maiores cuidados com as crianças  e os velhos; assim se  pensava. Estamos próximos  a completar uma   década  de um novo milênio e o que vemos?
A violência está nos envolvendo, os crimes  bárbaros vão se  sucedendo numa velocidade  tão grande que, tão logo, caem no  esquecimento; quase não nos lembramos mais  daquele menino que foi arrastado pelas  ruas  da zona norte do Rio de Janeiro; da menininha que foi atirada pela janela, ao que tudo indica, pelo pai e pela  madrasta; daquele  crime monstruoso acontecido  em um sítio próximo a Itajuipe, quando cinco pessoas morreram, inclusive  duas  crianças; dos  assaltos  que se  sucedem todos os  dias, na nossa cidade e nas demais; a pedofilia parece fugir ao controle  da  sociedade e crimes bárbaros são praticados contra menores indefesos; veja-se o que  aconteceu, recentemente, quando uma  besta humana estuprou e, depois, matou uma menina  de   cinco anos, aqui em nossa  região. Um criminoso desse, no máximo, ficará uns  seis anos na cadeia, se ficar, graças  às nossas  benevolentes  leis; oficiais  de alta  patente da nossa briosa Polícia  Militar envolvidos  em falcatruas e sendo presos em flagrante; os milhares  de funcionários do Senado – não sabe para que tantos funcionários – iriam receber hora-extra justamente em um mês  em que aquela  Casa  se encontrava  em recesso e, isso só não se concretizou, graças  à  grita  da imprensa. São crimes  diferentes?
São, sim, mas todos praticados em desobediência  às leis e todos  trazendo prejuízos à população; alguns, são crimes contra  a vida – os piores – mas, os outros , também não deixam de influir no bem-estar  do povo, desde  quando milhões  e milhões  são  desviados e que poderiam ser usados em proveito público.
No momento, além da violência, já  crônica, estamos com esse “problemão” que é a dengue, na nossa Itabuna, em Salvador  e em algumas  cidades do  nosso Estado; a epidemia  veio mostrar  a  vulnerabilidade  dos nossos  hospitais, sucateados ao longo dos  anos, quase  todos  refens da política  implantada pelo governo, com débitos  e sem condições de se modernizarem; é uma  grita  geral contra o  atendimento na maioria dos hospitais  públicos  do país; a salvo ficam alguns nosocômios – poucos – que continuam com elevado padrão de  atendimento, mas cuidando de uma parcela da população  que tem algum plano de saúde  ou pode  pagar. Muito bonito o ideário da nossa constituição mas  que, infelizmente, não atinge a camada mais pobre  e mais   sofrida  da  população; veja-se o exemplo dos hospitais  filantrópicos, sempre  de “cuia na mão”, implorando uma ajuda aqui, outra acolá, para não fechar  suas  portas, como já  aconteceu com alguns.
Dirá o leitor que isso já  está  sendo repetitivo demais, o que é  verdade; como também é  verdade essa história da violência; mas, o que podemos  fazer? O silêncio não será pior? Se não houver um grito por parte  da população, os  nossos “brilhantes representantes “ em Brasília, aí é que não vão , mesmo, tomar nenhuma providência. Afinal, para  que tantos impostos? Nunca  se  arrecadou tanto neste país. Para que?

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 14/03/2009
Responsabilidade de todos

Não se comenta outro assunto, em qualquer roda, que não seja o estrago causado pela dengue, em alguns pontos do país e, principalmente, na nossa cidade; com efeito, passamos muito tempo longe dessa doença infecciosa, que reapareceu alguns anos atrás mas sem causar tantas mortes, como agora; a temível forma hemorrágica já ceifou algumas vidas, mormente crianças, a população encontra-se apavorada, e com  razão. Doença causada por um vírus, que é transmitido por um mosquito, o já tristemente famoso Aedes Aegypti, o mesmo que transmite, também, a febre amarela.
O nosso país convive com outras endemias, como a malária que, para alguns cientistas, é o maior problema da saúde pública brasileira; enquanto a dengue é produzida por um vírus e transmitida pelo mosquito acima citado, a malária é produzida por um protozoário e transmitida, homem a homem, pelo mosquito anofelino.
Há alguns meses, relatório da Organização Mundial da Saúde, que é um órgão das Nações Unidas, advertiu que o fenômeno físico do aquecimento global, propiciaria o recrudescimento de algumas doenças infecto-contagiosas, tais como as duas acima mencionadas e outras, como a cólera que, alguns anos atrás, nos assustou bastante.A terra está passando por profundas transformações, algumas provocadas pela ação predadora do “bicho-homem” mas, as mais importantes, correm por conta de fenômenos naturais e inevitáveis, segundo alguns estudiosos.É a questão da camada de ozônio, a diminuição do campo magnético da terra, o aumento da radiação ultra-violeta, concorrendo para o aumento de doenças nos olhos e na pele, sem falar na quebra do equilíbrio nos oceanos e mares, mexendo com a cadeia alimentar marítima.
Mas, retornando ao problema da dengue, realmente, é preocupante o que estamos observando; a nossa rede de atenção à saúde não se encontrava preparada para enfrentar tal desafio, além da costumeira inércia governamental, para não usar outros termos. Quando imaginamos que cerca de cento e cinqüenta milhões de brasileiros dependem da rede do SUS, já que somente quarenta milhões têm algum plano de saúde, seria de esperar que o governo disponibilizasse a quantia necessária para atender uma demanda gigantesca; infelizmente, isso não ocorre. Vou transmitir, na íntegra, trecho do jornal do Conselho Federal de Medicina, Ano XXIII, Nº 174, de novembro/dezembro 2008, página 2: “O presidente da Comissão de Seguridade Social (CSS), Jofran Frejat (PR-DF), defendeu as reivindicações e disse que, como médico, sabe que o profissional está exposto no atendimento. Ele ainda cobrou mais orçamento para a saúde. “Retiraram o percentual da saúde da Receita da Previdência. Hoje teríamos 40 bilhões a mais no orçamento, o que poderia ajudar o SUS”. Veja o prezado leitor que, 40 bilhões dariam para melhorar muita coisa, inclusive as ações preventivas e curativas da dengue.
Mas o combate à dengue não é, e nem deve, uma responsabilidade inteiramente governamental; todos somos responsáveis; a população erra quando espalha o lixo por todos os cantos; o governo erra quando demora no seu recolhimento; a população peca ao deixar a água exposta e, pior ainda, impede a presença de agentes da vigilância sanitária, que vão fiscalizar e orientar; a população joga contra si, quando polui os rios e córregos  com todos os tipos de detritos; o governo , no caso de nossa cidade, demora em resolver o problema das” baronesas”, grande foco do mosquito e das conhecidíssimas muriçocas.
Poderíamos citar inúmeros fatores que concorrem para a disseminação da doença, envolvendo, tanto o governo, como a população; combater essa doença, como muitas outras, é dever de todos: ouçamos o conselho popular: “prevenir é melhor que remediar”.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 07/03/2009
Dia mundial do rim

Fato que chama a atenção de quem observa uma foto antiga de qualquer grupo humano, é o predomínio de pessoas magras, encontrando-se um ou outro acima do peso; bem diferente do que ocorre hoje; todos os trabalhos mostram que a população que passa do peso considerado ideal, está crescendo de maneira significativa no mundo todo; calcula-se que uma em cada quatro pessoas já apresenta sobrepeso, ou obesidade, com todas as implicações que isso pode acarretar, seja para o próprio indivíduo, seja para os programas de saúde pública.A obesidade associa-se às doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão  arterial e suas conseqüências, como o temível “derrame” cerebral, responsável por muitos casos de invalidez e de morte; a hipertensão, por sua vez, também concorre para problemas da visão e dos rins.
De alguns para cá, as sociedades médicas têm dado grande importância ao problema da obesidade, da alimentação, do sedentarismo, de alguns vícios, como o fumo e o álcool, e incentivado o tratamento da hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, que pode ter várias causas inclusive, predisposição genética. A cada dia novos conhecimentos são agregados ao estudo dessa doença, novos  e potentes medicamentos são lançados no mercado embora, ainda não tenha aparecido um que se possa chamá-lo de ideal, pois todos, uns mais, outros menos, apresentam os chamados efeitos colaterais, que conduzem, muitas vezes, ao abandono do tratamento.
As sociedades internacionais de nefrologia, inclusive a nossa Sociedade Brasileira de Nefrologia, escolheram o dia 12 de março como o “Dia Mundial do Rim”, com o enfoque de: “Mantenha a sua pressão bem controlada”. Com isso, têm incentivado a comunidade médica, principalmente os nefrologistas e os cardiologistas, a se empenharem em campanhas de esclarecimento à  população, mostrando as conseqüências da hipertensão arterial, quando não se faz o devido  tratamento e não se toma os cuidados higieno-dietéticos.
Uma das doenças mais temidas é a insuficiência renal crônica terminal, ou falência renal crônica, que pode ter várias causas mas, as mais prevalentes são a hipertensão arterial e o diabetes. É bom salientar que nem todo hipertenso, como nem todo diabético vai, obrigatoriamente, evoluir para um quadro de insuficiência renal crônica contudo, quando se observa o quadro dos pacientes que estão fazendo algum tipo de terapia renal substitutiva, quer seja a hemodiálise, quer seja a diálise peritoneal, a maioria se enquadra num desses dois grupos.
O que visa uma campanha dessa natureza é alertar a população para que faça, periodicamente, exame de saúde, procurando o seu médico ou um posto de saúde, aferindo a sua pressão e fazendo alguns exames laboratoriais, que podem detectar uma doença renal inicial, passível de controle. A hipertensão arterial e a doença renal inicial, são duas enfermidades traiçoeiras, porque são silenciosas, e aí é que está o grande perigo, porque o paciente encontra-se, na maioria, totalmente assintomático.
Há presentemente, no Brasil, cerca de  80.000 pacientes submetendo-se a algum tipo de terapia renal substitutiva e, muitos desses, poderiam não ter chegado a esse estágio da doença renal, caso tivessem cuidado melhor da sua saúde, da alimentação, dos exercícios e da visita periódica ao atendimento médico. O prezado leitor pode – e deve – passar estas informações às pessoas de seu relacionamento pois, com isso, estará fazendo um grande trabalho de profilaxia de doenças graves, invalidantes e de alto custo econômico e social.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 28/02/2009
Ato de insanidade

Gosto muito desses dizeres populares que sintetizam, bem, a sabedoria de um povo; um desses diz que de “médico e louco, todos nós temos um pouco”; no país do futebol, como o nosso, um outro foi acrescentado, o de que “todo brasileiro se julga um técnico de futebol”. Na fauna humana, que somos todos nós, nem sempre fica fácil mensurar o que é são e o que é doente, principalmente quando se marcha para a esfera da psique; já se disse, também, que todos somos neuróticos, variando, apenas, a gradação, sendo uns mais que outros. Na verdade, vez por outra, a sociedade é sobressaltada por atos de total insanidade mental; o fato chama a atenção por algum tempo, depois cai no esquecimento até que é substituído por outro, ou por outros. Indivíduos que, sem qualquer motivo aparente, empunham uma arma de fogo e saem atirando a esmo, matando inocentes, muitos dos quais jamais foram vistos pelo autor do delito; ora é uma jovem, rica e bonita estudante de direito, que arquiteta com o namorado o assassínio dos pais, enquanto dormiam; outra feita, um estudante de medicina, já perto de receber o diploma de médico, dispara alguns tiros no interior de um cinema e faz algumas vítimas. São inúmeros crimes cometidos, aqui e em outras partes do mundo, sem qualquer explicação plausível; são atos de loucura. Nos Estados Unidos da América do Norte isso é comum e muitos fatos são atribuídos a possíveis neuróticos de guerra.
Recentemente o povo brasileiro, num primeiro momento, ficou estarrecido com a história de uma jovem advogada brasileira, que teria sido agredida por fanáticos, em uma cidade da civilizada Suíça, saindo com ferimentos no abdome e em membros inferiores, além de haver abortado, em conseqüência da agressão; o fato foi noticiado por todos os meios de comunicação e algumas autoridades brasileiras apressaram-se, em pedir ao governo daquele país, uma atitude enérgica. A polícia suíça começou a apurar o caso e passou a desconfiar das alegações da jovem advogada. País civilizado, polícia de primeira, os peritos desconfiaram que as lesões foram praticadas pela jovem; os exames médicos, feitos com o rigor necessário, atestaram que não houve nenhum abortamento. Acuada, a jovem acabou confessando que forjou toda essa história e disse “perguntem a um psiquiatra”, quando inquirida sobre o porquê dessa fantasia. Na verdade, ela pleiteava receber uma indenização do governo suíço; por azar, ela se encontrava em um país sério, onde as leis são cumpridas, os inquéritos são feitos com a máxima seriedade e, em conseqüência, poderá sofrer as penas da lei, inclusive pegando algum tempo na cadeia. Aqui no Brasil, talvez acabasse dando entrevista no Faustão, sendo recebida no sofá da Hebe, posando para a Playboy e acabando à frente da bateria de umas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro; nós nos jactamos de que, por aqui, tudo acaba em samba.
Que o fato sirva de exemplo para a todos aqueles que deixam o nosso país e tentam emplacar o famoso “jeitinho brasileiro” em terras estranhas; vez por outra estamos sabendo, pelos meios de comunicação, de patrícios nossos que estão às voltas com a polícia, ou com a justiça, de algum país; não é que, no exterior, tudo seja uma maravilha, não haja corrupção; em alguns, há, até, mais do que por aqui mas, nos Estados Unidos e em boa parte da Europa, a coisa é séria e, quem quiser aplicar as suas “sabedorias”, que faça bem feito. Por lá, a lei é para todos.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 20/02/2009
Entrevista explosiva

No comentário da semana passada, abordei a questão dos partidos, da falta de seriedade e citei algumas figuras “notáveis” que dominam o chamado mundo da política. Longe estava de imaginar que, no outro dia, na revista “VEJA”, que tem se notabilizado em mostrar ao povo brasileiro as inúmeras falcatruas que ocorrem no cerne do poder, iria encontrar uma entrevista de um político, falando coisas que concordo inteiramente, já havendo me manifestado sobre o assunto, algumas vezes.
É bom recordar duas entrevistas, em épocas diversas, que mudaram o curso da história política brasileira; a primeira delas foi a entrevista concedida pelo paraibano José Américo de Almeida, ao então jornalista Carlos Lacerda, que precipitou a queda do ditador Getúlio Vargas, em 1945; Vargas encontrava-se no poder desde 1930 sendo que, a partir de 1937, encabeçava uma ditadura que tinha o pomposo novo de Estado Novo. Em 1992, a entrevista concedida por Pedro Collor de Mello, à revista VEJA, sem duvida alguma, abriu o caminho para a queda do seu famoso irmão, “Caçador de Marajás”, que hoje retornou ao Senador, uma vez mais eleito pelo povo; é, presentemente, um dos pilares do atual governo, no Senado. É complicada a política brasileira!
Pois bem, trouxe a revista VEJA, em seu ultimo número, uma elucidativa entrevista com o Senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, um dos poucos políticos que podem andar de cabeça erguida, mercê o seu bom desempenho nos cargos que ocupou, inclusive a Governadoria daquele estado nordestino O Senador Jarbas Vasconcelos atuou no MDB, combatendo a ditadura e foi um dos fundadores do atual PMDB, partido que ele diz abrigar muitos dos corruptos da política tupiniquim. Sabe o que diz e não foi desmentido; acusa o Senado da República de ter “virado um teatro de mediocridades”, não poupando o Donatário do Maranhão, que hoje, infelizmente, preside aquela Casa; diz, textualmente: “Sarney vai transformar a Casa em um grande Maranhão”, o que não é novidade para quem conhece a trajetória desse político, que a mão do destino, um dia, colocou na Presidência da República; lembram-se do Centrão?
Vai mais o Senador Jarbas Vasconcelos quando acrescenta: “desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem” e acusa o atual governo federal, de ter “deixado a ética de lado”, fato reconhecido e denunciado, há muito, por todos aqueles que observam o cenário nacional e se insurgem contra o que vemos acontecer, quase todos os dias.
Não dá para abordar todos os temas citados na entrevista, que deveria  ser lida pelos brasileiros; felizmente, ainda há políticos que podem receber o título de sérios, no meio desse cipoal de facínoras, bandidos de todas as marcas, atuando nas Câmaras de Vereadores, nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional. A entrevista não causará um impacto como as de José Américo de Almeida e Pedro Collor de Mello, porque os tempos são outros e ninguém deseja a ruptura democrática; nem o próprio Senador Jarbas Vasconcelos. Mas tem a grande vantagem de chamar a atenção para o quadro atual e despertar, no eleitor, o desejo de mudar isso, quando tiver, novamente, a oportunidade de participar com o seu voto.
O pior de tudo é que, na maioria das vezes, os homens de bem que fazem uma incursão na política, acabam sofrendo uma grande frustração, dão no pé, e deixam o terreno aplainado para os espertalhões, que brilhantemente, dilapidam o dinheiro público.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 14/02/2009
A importância dos partidos

Olhando-se o panorama político mundial vê-se que, onde há democracia, há pluralidade partidária, contrastando com as ditaduras, sem partido e, algumas, para fazer uma tapeação, têm partido único. Faz-se política, no bom sentido, dentro dos partidos, que têm a sua base programática, apresentada ao eleitor, quando das eleições; nos países onde os partidos são  respeitados, o eleitor quando vota, sabe o que será feito; é assim nos Estados Unidos, com seus dois importantes partidos, o Democrata e o Republicano; é  assim na Inglaterra, com o Partido Conservador e o Partido Trabalhista, e assim ocorre na maioria dos países.
Aqui no Brasil, após a redemocratização que sucedeu a ditadura Vargas, tivemos vários partidos, mas três dominavam a cena política: O Partido Social Democrático (PSD), a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB); bem ou mal, as diversas correntes do pensamento se abrigavam nesses três partidos, ou ocupavam outros partidos menores, mas que tinham votos e alguma participação no processo político democrático. Veio aquele movimento de 1964, os partidos foram eliminados, surgindo, por imposição do novo governo, duas legendas que, por alguns anos, eram as únicas: a ARENA e o MDB, a primeira dizendo amém aos militares e, o segundo, fazendo oposição. Felizmente tivemos a redemocratização, a partir de 1985, e novos partidos surgiram, até demais.
Tenho ouvido muito, mesmo de pessoas esclarecidas, que partido não tem valor, o que vale é o candidato e isso se materializa nas urnas; havia, até pouco tempo atrás, uma vergonhosa troca partidária, quando candidatos eleitos trocavam de partido antes mesmo de tomar posse; felizmente marchou-se para uma condição de fidelidade partidária, embora ainda um pouco frouxa mas que, de alguma maneira, freia, um pouco, essa prática eminentemente interesseira, de trocar de partidos.
Encontro-me no Partido da Social Democracia  Brasileira, o PSDB, sendo um dos fundadores do Diretório local, em 1989; a nossa primeira campanha foi com o grande brasileiro Mario Covas à presidência da República; por ser constituído por homens e mulheres, e não por anjos, tem as suas imperfeições mas, é uma legenda que apresenta, no seu quadro nacional, pessoas  da melhor estirpe; não ostenta o gigantismo do PMDB mas, em compensação, também não abriga, em suas fileiras, um  Sarney, um Renan Calheiros, um Romero Jucá, um Jader Barbalho e outras figuras “notáveis”, bem conhecidas do povo brasileiro, todos bons de votos em seus respectivos Estados. E aí, volta àquela velha pergunta: o povo sabe votar?
Caso julguemos os políticos apenas pelas vitórias nas eleições, o nosso grande Ruy Barbosa, tido como um dos maiores brasileiros em todos os tempos, ficará muito mal, já que não conseguiu eleger-se Presidente da República nas duas vezes em que tentou; quem é mais falado, até hoje, Ruy Barbosa ou os que o venceram nas eleições?
É muito relativo, pois, essa história de tentar denegrir um partido político, apenas porque não obtém relativo sucesso em determinada eleição. O eleitor que se preocupa com o futuro de sua cidade, de seu Estado, e do seu país, deveria conhecer o programa dos partidos, da qualidade das pessoas que neles participam e se, uma vez no poder, estão cumprindo a meta do partido e as promessas da campanha. Quando isso acontecer, poderá ser outro o desenvolvimento do nosso imenso Brasil.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 06/02/2009
ESCOLHENDO PRIORIDADES.

Nunca se mente tanto como antes das
Eleições, durante uma guerra e depois
De uma caçada!
Otto von Bismarck.

É interessante a observação do estadista alemão, que teve participação importante na cena política da Europa no século XIX, chamando a atenção, principalmente, para a ação dos candidatos, durante o período eleitoral, com promessas mil, a maioria irrealizável; infelizmente, boa parte do eleitorado vai nessa conversa e, o que é pior, não se lembra de cobrar, dos eleitos, a efetivação do que prometeram. A maioria dos candidatos não tem noção dos recursos que terão, das dificuldades que surgirão no complicado jogo que é a política mas, poucos se dão conta das bobagens ditas no calor das disputas; candidato a vereador prometendo obras e mais obras, então, é uma brincadeira.
Há várias explicações para o ato de administrar e, uma delas, parece-me pertinente: escolher prioridades; com efeito, nem sempre é fácil determinar quais as prioridades, diante de tantas e tantas necessidades de uma população; uma pesquisa junto a uma determinada comunidade, mostraria, certamente, um leque de prioridades, que o governante teria que “peneirar”, já que os recursos não são muitos, para executar as mais importantes. Como o Brasil apresenta uma diversidade enorme entre os seus vários municípios, as necessidades também são muito diferentes; há lugares em que o problema educacional já se encontra resolvido, há anos, e não necessitam, portanto de mais escolas nem de aumentar o número de professores, o que não ocorre em outros tantos; há cidades, no leste e no sul do país, com atendimento médico-hospitalar de primeira qualidade, ocorrendo, o mesmo, em relação ao fornecimento de água tratada e da rede de esgotos. O mesmo dá-se em relação a outras facetas da atividade governamental.
Estamos diante de uma severa crise econômico-financeira internacional, que infelizmente foi menosprezada e tratada com deboche pelo atual ocupante do Palácio do Planalto, e que está mexendo, praticamente, em todas as esferas dos negócios, quer sejam privados ou públicos, com o espectro terrível do desemprego; os municípios irão sofrer, e muito, pois, segundo informações, haverá queda nos repasses governamentais, tais como o fundo de participação dos municípios e o repasse feito pelos governos estaduais; isso significa menos dinheiro nos cofres municipais e, como tal, a impossibilidade de executar obras importantes para o atendimento da população. E as promessas das campanhas?
Estamos, aqui em Itabuna, em plena semana do carnaval antecipado, um evento que divide opiniões e que chegou, inclusive, a ser contestado por membros do Ministério Público local, alegando, com justiça, que o município não está cumprindo, plenamente, algumas ações de sua competência. Ressalte-se que muitas dessas falhas foram uma herança da administração passada.
Não estamos com o pleno fornecimento de água tratada para todos os habitantes e isso, para qualquer governo responsável, é prioridade um; há atrasos para prestadores de serviços e, na área da saúde, débitos do ano passado. A atual administração herdou muitos problemas, fato comum na maioria dos municípios brasileiros e tema de um assunto que tratamos, algumas semanas atrás.
Aí retornamos ao tema inicial de nossa conversa, perguntando: carnaval é prioridade? Certamente que para boa parte da população, sim. Lembro-me que ouvi, anos atrás, de uma jovem adolescente, classe média, que votaria em determinado candidato a prefeito, porque ele gostava de fazer festas.
Não é fácil eleger prioridades, a não ser através um plebiscito que, também, não é fácil de se fazer a todo o momento e para todas as ações. Resta o bom senso dos governantes e a sua total dedicação ao povo que os elegeu. É aguardar para ver.

 
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JOÃO OTÁVIO MACÊDO - 24/01/2009
BRINCANDO COM A COISA PÚBLICA.
Observando a crônica política, após o primeiro de janeiro, o que se vê é uma queixa geral da maioria dos prefeitos, culpando o antecessor por desvios cometidos e por aver deixado muitas dívidas para o novo governante. Esse filme já é antigo, também ocorrendo nos Estados, quando da troca de governadores; móveis e equipamentos desaparecem, não há dinheiro em caixa, é queixa para todos os lados e a opinião pública fica sem saber, exatamente, o que está acontecendo. A crônica recente cita o caso, ocorrido aqui pertinho, de um prefeito que, ao entrar na sua sala de trabalho, encontrou uma cobra tranquilamente dormindo sob a mesa, cobra que teria sido aí colocada a mando do antecessor; verdade ou folclore?
Aqui na nossa Itabuna, a cada troca de governo, principalmene quando o candidato da oposição é o vencedor, a cantilena também não é diferente. E o dinheiro público, que já não é suficiente para enfrentar todos os desafios, acaba não dando para nada, mesmo; acresce-se, ainda, o fato de que os novos governantes tendem a deixar em “banho-maria” as obras iniciadas pelo antecessor. Lembro-me bem que um certo governador do nosso Estado, não concluiu a construção de um hospital, faltando pouca coisa, para não prestigiar o que saiu; o governo federal também assim age e já foi mostrada, na TV, obras vultosas em vários Estados do país, invadidas pelo mato; lembram-se da transamazônica?
Tenho ouvido, nos últimos  dias, notícias de arrepiar  a respeito da nossa EMASA; débitos imensos para  com a  COELBA e o INSS; atrasos no aluguel do prédio onde  se situa  a direção; negociatas nos contratos  de veículos  e  equipamentos enfim, uma série  de denúncias  que o povo de Itabuna merece um adequado esclarecimento; se tudo isso for mentira, e eu bem que gostaria que  fosse, os ex-dirigentes nada têm a temer,  saindo engrandecidos  dessa história  toda; agora, caso o fato seja verdadeiro, merece  ser  devidamente  apurado e os culpados sendo punidos; não é possível que se  continue  a brincar com o dinheiro público Acusações  semelhantes também tenho ouvido em relação à última Mesa da  Câmara  de  Vereadores; verdade  ou mentira?
A partir  de 2000  tivemos a entrada  da Lei Complementar n 101, de 04  de maio daquele  ano, conhecida como Lei de  Responsabilidade  Fiscal que veio, justamente, para dar um freio nesses  gestores públicos corruptos  e irresponsáveis; esperava-se que houvesse um certo temor após  a vigência  dessa lei mas, infelizmente, não é o que  temos  observado.
Vê o prezado leitor que há instituições  que existem para  julgar  e punir esses que maculam a  função pública  e desviam os  parcos  recursos  do povo; há os Tribunais  de Contas, o Ministério Público, o Poder Judiciário mas tudo isso acaba sendo insuficiente para  enquadrar esses delinqüentes
Há esperanças? Claro que sim. Vamos sempre aguardando um aprimoramento da função pública mas o eleitor é a peça mais  importante de tudo; de nada adianta ficar comentando nas  esquinas, xingando os corruptos e, nas próximas eleições, votar nos mesmos. Pouco a pouco, vamos  aprendendo e melhorando, espera-se.
 
João  Otavio Macedo.
* Médico e ex-vereador
 
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