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| FERNANDO FERREIRA - 31/01/2009 |
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Dia 28 ultimo assinalou o 92° aniversário da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, uma das maiores instituições na região cacaueira e que vem se firmando, a cada ano, pela vontade indômita de pessoas da comunidade, que deixam seus afazeres, muitas vezes com prejuízo pessoal, para se dedicarem no trabalho ao próximo. Nunca foi fácil, e continua não sendo, manter uma empresa filantrópica, que depende de tantas variáveis, enfrenta muitas dificuldades , inclusive, a ação de alguns , poucos, é verdade, que tentam prejudicá-la. Felizmente, sempre tem havido a participação dessas pessoas voltadas para o bem, que mantêm essas entidades de pé. Desde o ano de 1916 que algumas pessoas se reuniam, lideradas pelo Monsenhor Moysés Gonçalves do Couto, visando a criação de um hospital na então jovem cidade de Itabuna, fervilhando de progresso graças aos frutos de ouro dos cacauais , já contando com alguns profissionais médicos; se hoje vemos esgotos a céu aberto, problemas do lixo, problemas com a água, imagine-se naqueles anos, com a recém emancipada Itabuna recebendo levas e levas de forasteiros que para aqui chegavam, atraídos pela fama do cacau e pela oportunidade de trabalho; chegava-se a Itabuna, vindo de Ilhéus pela ferrovia, também poucos anos antes inaugurada, ou vindo de outras paragens , no lombo do burro ou a pé. A Ilhéus, chegava-se por via marítima, havendo , regularmente, navios saídos de Salvador, no final da tarde, em direção à nossa vizinha cidade; foi assim que muitos aqui chegaram. Criada a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia no dia 28 de julho de 1917, tomando por base outras tantas que já existiam, inclusive no nosso Estado, deu-se início à construção do primeiro hospital da cidade, que foi inaugurado oficialmente no dia 7 de setembro de 1922, com uma grande festa e que já começou a funcionar com 03 enfermarias.Começava a funcionar o hospital Santa Cruz, que nos anos oitenta passaria a chamar-se hospital Calixto Midlej Filho, numa justa homenagem a um dos maiores provedores que a Santa Casa teve. Daquela primeira metade do século XX até os nossos dias, muitas coisas aconteceram em Itabuna, no Brasil e no mundo e a nossa Santa Casa, tal como as demais, sentiu a necessidade de ir se adaptando aos novos tempos; foi criada para atender a indigência, que , pelo menos oficialmente, não existe mais; a assistência médico-hospitalar, de lá para cá, tem sofrido profundas mudanças e o progresso técnico e científico, obriga os hospitais a acompanharem essas mudanças, como única maneira de sobrevivência. Como acontece com cada de um de nós, também a nossa Santa Casa tem passado por momentos de tranqüilidade, e outros de turbulência; a escassez de recursos tem sido a tônica nesses anos todos, numa área difícil e muito complexa, como é a assistência médico-hospitalar. Chegou um momento em que seus dirigentes viram que, ou tomavam medidas ousadas e urgentes, ou a instituição caminharia para dias piores; a estagnação soaria como um caminho para a insolvência; os seus últimos provedores sentiram o problema e tomaram decisões que só merecem aplausos; a última dela, foi o arrendamento do hospital São Lucas, que passava por grandes dificuldades - como a maioria da rede hospitalar brasileira – e para onde deve convergir o atendimento do SUS da Santa Casa, dando mais conforto ao paciente e propiciando uma melhor condição para toda a equipe envolvida no atendimento médico-hospitalar. Há risco? Sim; o próprio viver já é um risco, que deve ser encarado no dia-a-dia. Vamos torcer para que a nossa Sant Casa continue com sucesso nesses novos caminhos, seguindo o caminho do Monsenhor Moysés Gonçalves do Couto e seus pares, naquele longínquo ano de 1917. Vida longa Santa Casa de Misericórdia de Itabuna.
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