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ARTIGOS - 01/04/2009
Onde está a sustentabilidade?

Ao contrário do que parece, as ideias sobre desenvolvimento sustentável não surgiram no século XXI. O tema já havia sido abordado no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento e publicado em 1987, antes mesmo da Agenda 21, criada cinco anos depois. O documento previa que atitudes responsáveis seriam essenciais para fazer valer a sustentabilidade, que consiste em “desenvolvimento que satisfaça as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.
É vidente que o mundo precisa de ações socioambientais corretas para se manter e as gerações futuras não sofrerem com mais degradação e escassez dos recursos naturais. Apesar disto, os projetos relativos à sustentabilidade começaram a se fortificar há poucos anos. Esta preocupação tornou-se sinônimo de empresa moderna, socialmente responsável e consciente.
 Entretanto, mesmo com esforços de algumas poucas companhias privadas em incluir esse novo conceito ao seu perfil organizacional e da conscientização da população quanto à importância da reciclagem e do consumo de produtos ecologicamente corretos, ainda há grandes falhas neste sistema. Uma dessas lacunas é a inexistência de ações dos órgãos públicos para a coleta de lixo eletrônico, como celulares, baterias e pilhas. Mesmo sendo imprescindível o descarte correto desses produtos, não há projeto algum. As empresas e entidades que querem contribuir para a expansão de atitudes sustentáveis têm de arcar com todos os custos que as envolvem, e que não são poucos. A grande maioria delas não tem condições financeiras de manter tais gastos, em especial nesta época de crise. Nenhuma delas investirá em algo de tamanho porte, tendo a preocupação principal em manter primeiro seu quadro de funcionários.
 Programas de responsabilidade socioambiental deveriam ser apoiados pelo governo, disponibilizando o aparato necessário para que a sustentabilidade de fato começasse a existir e não comprometesse as necessidades das gerações futuras. Porém, infelizmente não é isso que percebemos ao tentar propagar na sociedade ações responsáveis.
 Mesmo sem apoio público, há empresas que desenvolveram postos de coletas, em sua maioria para recolher apenas os próprios produtos. É lamentável que não haja uma parceria público-privada ou até mesmo empenho maior das empresas para que os pontos de arrecadação de lixo eletrônico aumentem. Se a falta de cooperação prevalecer em questões tão importantes, como a propalada sustentabilidade, este conceito permanecerá abstrato e sem resultados concretos.

Por Carlos Reis
é presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo

 
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ARTIGOS - 26/03/2009
O Século da mulher

Segundo um estudo estatístico realizado pelo Instituto Galupp, a pedido da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que tem por base os anos de 2003 e 2004, sabemos que mais de 60% das cirurgias realizadas no Brasil foram de caráter estético e, dessas, cerca de 80% foram realizadas em pacientes do sexo feminino.
Aproveitando a iminência do mês da Mulher (março), risco um paralelo entre a evolução sócio cultural da mulher e a evolução da cirurgia plástica. Essa data, ao ser criada, não pretendia apenas comemorar. O objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual.
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como redução na carga horária diária para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho por dia), equiparação de salários com dos homens (elas chegavam a receber até um terço do salário de um homem para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente em que trabalhavam. A manifestação foi reprimida com grande violência. As mulheres foram trancadas e queimadas dentro da fábrica. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Era também inicio da Cirurgia Plástica Moderna, que apresentou um desenvolvimento muito grande na Europa e de lá se difundiu para o mundo.
Nos últimos 40 anos, as mulheres conquistaram o mercado de trabalho e sua independência financeira, se divorciaram, passaram a ocupar postos de poder político e administrativos, mostraram que são tão competentes quanto os homens e muito mais dedicadas em tudo que se envolvem.
As cirurgias plásticas estéticas começaram a ganhar espaço nos últimos 30 anos, principalmente, por meio do ilustre Prof. Ivo Pitanguy. Essas intervenções se destacaram por meio da mídia e tinham, inicialmente, como pacientes as mulheres de maior poder aquisitivo, que passaram pela maternidade e que tinham sofrido modificações indesejáveis em suas mamas e abdômen. Nesse período, essas cirurgias eram inacessíveis à maioria das mulheres, pois havia poucos especialistas e os preços eram proibitivos.
Todos esses acontecimentos ajudaram a criar um estereótipo de mulher, constantemente em busca da “perfeição”. Elas “têm” que ser modernas, práticas, capazes de exercer suas funções domésticas, conviverem bem em diversos segmentos da vida social, e ainda, estarem belas.
Temos que reconhecer que, com a nova posição social da mulher como consumidora exigente e diferenciada, o poder de compra vem crescendo de forma acelerada, despertando o interesse de inúmeros setores do mercado. Isso obriga o mercado feminino a estar constantemente atualizando, na intenção de atender as necessidades desse público.
Os procedimentos estéticos tem se tornado cada vez mais sofisticados, com resultados cada vez mais refinados. Com o aumento na expectativa de vida, da melhora de condições econômicas e da manutenção da saúde vem o desejo do rejuvenescimento. “Perfeição”, ou melhor, na busca otimista para o aprimoramento do corpo e até de superação das limitações impostas pela condição humana por meio da tecnologia. Novas técnicas e materiais foram desenvolvidos, cirurgias minimamente invasivas e vídeo-endoscopia vêm de encontro às necessidades das pacientes de poderem voltar o mais breve possível às suas atividades. Outros procedimentos cosméticos de mudança de forma e rejuvenescimento se tornaram cada vez mais interessantes, auxiliando a volta da confiança e da autoestima.
Atualmente o Brasil ocupa uma posição de destaque mundial em relação ao número de cirurgias plásticas realizadas anualmente, fica atrás somente dos EUA. Prova da democratização de uma série de procedimento antes elitizado, incorporando-os à sociedade, como recursos dos mais utilizados para  obtenção de uma finalidade: o bem estar.
Avaliando essa evolução, foi possível apreender que, mesmo diante da necessidade de modernização, libertação e versatilidade, a mulher continua desenvolvendo o seu papel de dona-de-casa, administradora do lar, mãe e esposa, porém, tendo a necessidade de manter-se bela e atraente ao colocar em prática o seu poder de sedução.
O avanço da noção dos direitos humanos e o aumento da demanda pelo tratamento adequado marcam as próximas décadas com um movimento francamente equalizador, entre aqueles que durante séculos foram tratados de forma diferente no trabalho e na sociedade. Tudo indica que este e é o século da mulher.

Por Dr. Fernando Fernandes
é Médico cirurgião plástico, Especialista pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).

 
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ARTIGOS - 25/03/2009
É preciso fazer o dever de casa

Em meio à crise econômica mundial e à queda que vem se verificando na arrecadação de impostos e de contribuições, tanto na esfera federal como na estadual e municipal, torna-se imprescindível que governadores e prefeitos encontrem alternativas que possibilitem dar continuidade às ações que estão sendo desenvolvidas regionalmente.
A redução na arrecadação federal em janeiro — queda real de 7,26% (R$ 4,8 bilhões) em comparação ao mesmo período de 2008 — afeta diretamente o repasse de verbas da União aos Estados e municípios. Esse cenário, aliás, deverá obrigar os gestores a realizar cortes no custeio das máquinas públicas.
As administrações que apenas se limitaram a pegar carona nos bons ventos da economia brasileira nos últimos anos serão as que mais sentirão o impacto. Em contrapartida, a crise servirá para separar o joio do trigo. Ou seja, os Estados e municípios que conseguiram, por méritos próprios, melhorar sua arrecadação estarão mais aptos a enfrentar a situação.
Aliada a essa discussão está a modernização da máquina pública. Mais do que aperfeiçoar os procedimentos administrativos por meio de ideias mirabolantes, o debate, que inclui a gestão financeira, passa por uma visão adequada e real do que pode, e deve, ser feito em âmbito local.
Como exemplo, cita-se o caso de Taboão da Serra, que em área é a terceira menor cidade do Estado de São Paulo e a segunda maior em adensamento populacional. O município, que acaba de completar 50 anos, conseguiu colocar as finanças públicas em dia, sem criar novas taxas. Nos últimos quatro anos, Taboão registrou um crescimento de 89% no orçamento — de R$ 161 milhões em 2004 para R$ 305 milhões em 2008.
A fórmula adotada lá atrás foi o estabelecimento do contato direto da população e de empresas com o poder público, por meio de uma frente de trabalho que se encarregava de passar orientações quanto ao pagamento de tributos e a como isso se traduzia em benefícios para o município.
Desde então, o contribuinte passou a contar com o apoio de profissionais para esclarecer dúvidas quanto a taxas como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto sobre Serviços (ISS) e a Declaração para o Índice de Participação dos Municípios na Arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (DIPAM).
A partir daí, a regularização de imóveis rendeu a Taboão da Serra um aumento de 400 mil metros quadrados em áreas recadastradas (R$ 13 milhões a mais de IPTU). No recolhimento do ISS, que passou a ser realizado 100% de forma eletrônica, a receita passou de R$ 13 milhões para R$ 26 milhões. O salto do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) foi ainda maior: de R$ 55 milhões para R$ 93 milhões em quatro anos. Em relação à DIPAM, que é a declaração das empresas que recolhem ICMS ao Estado e que serve como base para o repasse de verbas ao município, a atuação da frente de trabalho resultou na recuperação de R$ 1 milhão apenas em 2008.
Esse aporte financeiro possibilitou a Taboão da Serra investir em programas sociais, como o Professor Visitante. A iniciativa, premiada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), permite aos professores da rede de ensino público da cidade conhecer a rotina das casas dos alunos após o horário de aula. Outra ação importante, que só se tornou viável graças ao ajuste da receita, é o Programa de Inclusão Digital, que possibilita o acesso da população aos meios eletrônicos. Esses são exemplos, concretos, de que é possível o poder público realizar bons projetos desde que seja feita, antes, a lição de casa.

 

Por Luiz Antonio de Lima
O autor é consultor financeiro e secretário de Administração de Taboão da Serra (SP)

 
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ARTIGOS - 18/03/2009
Meu filho foi reprovado no vestibular, e agora?

Por Elias Reis
E-mail:
eliasreis.ilheus@gmail.com

O vestibular sempre provocou uma tempestade na vida dos jovens, e também na de seus pais. Como manter a calma e evitar a ansiedade diante da reprovação?  Dados comprovam que 95% dos jovens que prestam vestibulares não sabem exatamente o curso ou profissão a optar. Maioria segue orientação dos amigos, professores, ou mesmo vão na “onda” daquilo que está na moda ou, aqueles cursos que refletem “na teoria” um bom retorno financeiro.
Outro dado interessante é que 45% dos que conseguem entrar numa faculdade, raramente concluem o curso no período pré-estabelecido, se arrastando na incerteza.
Por incrível que pareça, a opinião dos pais pouco tem influenciado nas decisões dos jovens vestibulandos, a influência externa é muito maior, apesar de que o papel da família é importante nessa hora para ao discernimento dos jovens, além de preparar emocionalmente para a possibilidade de um eventual insucesso dos filhos no exame.
A.C..., 23 anos é uma exceção, conhece bem as pressões que rondam um vestibulando. Pelo 5° ano tentou uma vaga no curso de Direito da Uesc. “Nunca gostei de direito, mas, por imposição de meu pai, venho tentando, sem sucesso. Meu pai alega ser importante o curso de direito, pois, teria possibilidade de tentar a magistratura”, afirma André, que na realidade gostaria de fazer Filosofia, mas, que diariamente acessa o site da uesc na expectativa de que seu nome sempre apareça na próxima chamada, e o seu velho pai, depois de cinco anos, volte a sorrir!
Temos notícias de jovens, após o insucesso no vestibular precisarem fazer urgentemente terapia, pois a pressão foi imensa da família, e, a própria família fazia conotação de derrota, de prejuízo e até mesmo vergonha, já que alguns coleguinhas de seu filho lograram êxitos. Independente de aprovação ou não, os pais precisam é apoiar, estimular o filho, para que o mesmo mantenha a sua auto-estima e comece a se preparar para um próximo vestibular. É triste, mas, é comum alguns pais chamarem ainda seus filhos de “burros” por não passarem no vestibular.
Nem sempre, porém, os pais têm essa compreensão e ficam infelizes com a reprovação dos filhos no vestibular. Os pais precisam caminhar juntos com os filhos, derrubando barreiras e encontrando forças para chegar aonde se pretende.
Sabe-se das dúvidas dos jovens, das dificuldades e incertezas, e ai, é preciso que os pais tenham muita tolerância, pois as pessoas crescem e têm conquistas em tempos diferentes da vida.
O vestibular não é o fim do mundo. Quantos foram reprovados no vestibular, e em seguida tiveram êxitos em concursos do Banco do Brasil, CEF, Justiça Federal? E quantos foram aprovados num vestibular e por mais que tentem, não conseguem êxitos em concursos públicos? E, muitas vezes, depois de formados, são obrigados a debruçarem em um balcão de farmácia, armarinho ou mesmo tocarem uma atividade totalmente avessa daquela o qual foi graduado. Portanto, algumas vezes o insucesso no exame, serve até mesmo para uma reflexão de vida e uma mudança de atitudes, tanto dos pais, como do jovem vestibulando.
Uma reprovação no vestibular não significa absolutamente nada. Porque desespero?
Muitos pais no afã de ver seus filhos cursando o terceiro grau partem imediatamente para a escola privada, algumas, já denominadas de F.p.p (Faculdade-pagou-passou), nas quais os discentes saem totalmente despreparados e inseguros para o mundo externo da competição. Outros, por caprichos dos pais (não dos jovens) são enviados para a Bolívia, para tentarem a formação em Medicina ou Odontologia, muito das vezes cursam 8, 9, 10, 11 anos e, quando chegam ao Brasil, tais cursos não são reconhecidos. É a máxima da vaidade: “Meu filho é doutor!”.
Insucesso numa universidade pública, onde a concorrência é grande, onde o dinheiro, a classe social pouco importa, não é nenhuma vergonha e muito menos reflexo de incapacidade.
O jovem certamente vai sobreviver a ele e sua família também. E, a família precisa estar unida!
Como algumas vezes profetiza o amigo radialista GIL GOMES na abertura do seu programa ao meio-dia, na Rádio Santa cruz, ao fundo a canção de Pe. Zezinho, Oração da Família “A família precisa discernir cada momento: Momento para falar e momento para calar; momento para gemer e momento para bailar; momento para sorrir e momento para chorar; momento para superar e momento para vencer. Mas, todos os momentos serão momentos para se caminharem juntos”.


 

 
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ARTIGOS - 11/03/2009
Sul da Bahia terá I Seminário de Gestão em Saúde

Por Jaceia Freitas

Ocorre nos dias 26 e 27 de março a primeira edição do Seminário Baiano de Gestão em Saúde - Região Sul, em Ilhéus, no Auditório Paulo Souto, que conta com a Ahseb (Associação de Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Estado da Bahia) como um dos realizadores. O programa inclui palestra magna com o secretário estadual de saúde da Bahia, Dr. Jorge Solla, que fala, na abertura do evento, sobre “Avanços e lacunas na implantação da Gestão Plena na Bahia”. Esta primeira etapa será no dia 26, das 19h às 21h.
No dia 27, entre às 8h30 e 10h, o Seminário tem seqüência com o tema “Planejando os Serviços de Saúde”. Dentro desta abordagem, Cícero Andrade, (Diretor de Marketing) da Ahseb, falará sobre Planejamento Estratégico, o secretário municipal de saúde de Itabuna, Antônio Vieira, discorre sobre Planejamento Municipal, enquanto Oswaldo Viana, da Camed, vai debater o tema Repensando a Saúde, e representantes do Banco do Nordeste abordam a pauta Nordeste Territorial e Linhas de Crédito.
“Tendências do Faturamento” é o debate que será posteriormente realizado no evento, a partir das 10h30, até às 12h. Informatização, Padronizações, Sistematização de Processos e Glosas e seus controles são os assuntos que compõem as palestras, ministradas por Tânia Condurú, da Cassi, e Claudia Silva Borges, do Bradesco Saúde.
No período da tarde, das 14h às 16h, o tema é “Gestão dos Planos de Saúde”, que vai abordar o Cenário Atual, com Dr. José Antero (UNIMED), Preços Praticados na Bahia, que tem como ministrante o Dr. Paulo Sérgio (Unimed/Ilhéus), e Gestão Planserv, assunto que será tratado pela Dra. Sônia Magnólia e pelo Dr. Paulo Sérgio. Para encerrar esta temática, será tratado o tema Filantropia, por Luiz Nivaldo (GENS CONSULTORIA).
 O Seminário será fechado pela abordagem de “Tabelas e suas Aplicações”, que vai tratar da Situação Atual, TUSS – Terminologia Unificada em Saúde Suplementar, CBHPM 5ª edição, e TISS – Troca de Informação em Saúde Suplementar. Os palestrantes desta etapa são José Alberto Costa Muricy (Diretor de Projetos da Ahseb e Consultor), Eucleciana de Oliveira Lima (Unidas) e Oswald Viana (Camed).
As inscrições para o Seminário estão abertas e ocorrem até o dia 24 de março, e durante o evento. Estudantes pagam R$ 35,00, associados da Ahseb R$ 80,00 e os demais interessados terão custo de R$ 100,00.  Os contatos para a solicitação de mais informações e inscrições podem ser feitos através dos e-mails ahseb.itabuna@ahseb.com.br fabiolaaraujo@ciajunior.com.br e jalfreitas@hotmail.com, ou pelos telefones (73) 8806-1253  (73) 9945-9282 e 8837-6817  Veja neste link a programação completa.

 
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ARTIGOS - 10/03/2009
A previdência privada em tempos de crise

Por Paulo Mente é economista,
ex-Presidente da ABRAPP e Diretor da ASSISTANTS
Consultoria Atuarial (
www.assistants.com.br)


Amadurecida por um modelo concebido na década de 70, que foi abandonado pelo paternalismo do Estado na década de 90 ao migrar para uma estrutura neoliberal em que proliferaram os planos de contribuições definidas, a previdência privada brasileira sempre esteve à margem de crises e seus participantes não haviam, ainda, convivido com ameaças de mercado sobre suas poupanças, salvo em alguns casos especiais como o da VARIG.
 Os mais antigos, ainda com a segurança da proteção de benefícios financiados basicamente pelas empresas; os mais novos, convencidos positivamente pelo comportamento auspicioso das rentabilidades auferidas há longo tempo.
 Aliás, creio que nem mesmo a crise atual do mercado tenha afetado significativamente os detentores das poupanças até agora, talvez nem mesmo seus agentes, já que a maior parte dos ativos garantidores das obrigações encontra lastro em juros de longo prazo ainda superiores às promessas de capitalização dos recursos. O quinhão das rendas variáveis - ou o do mercado imobiliário - é incomparavelmente menor, embora a perda tenha significância e resulte em regressões momentâneas do todo.
 Preocupações, talvez potencializadas em demasia pela mídia, a ponto de requerer reparos posteriores do próprio secretário de Previdência Privada do Governo Federal, foram trazidas ao público, dando a entender que poderiam estar frágeis diante do mercado desvalorizado. Nesse ponto é que a cautela e a razão devem ganhar espaços.
 A previdência que se desvaloriza rapidamente é aquela de curto prazo, cujo objetivo é a captação de recursos como alternativa de investimento de curto ou médio prazos. Mesmo nas entidades fechadas das empresas, os planos da modalidade de contribuição definida com perfil mais agressivo correm certa dose de riscos. A previdência de longo prazo, todavia, gerida com foco na aposentadoria, com perfil conservador, tem uma imunização claramente maior contra crises episódicas.
 Isso não quer dizer que perigos estejam frontalmente eliminados. Muitos fundos de longo prazo, principalmente os mais antigos, atingirão, em algum momento, sua maturidade e seus fluxos de receitas não mais suportarão com facilidade os fluxos das despesas. Nesse momento, a realização de ativos poderá ser necessária à alimentação eventual dos fluxos e as melhores oportunidades das aplicações não mais serão determinadas pelas taxas de longo prazo, mas pelos momentos instáveis do mercado. A certeza que se pode ter é que, de maneira geral, os atores dos fundos com foco no longo prazo tem esse momento na consciência e estão preparados para vivê-lo e, por isso, não tem tempo a perder com demasiados temores sobre a crise presente.

 
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ARTIGOS - 03/03/2009
Dúvidas mais que esclarecidas

Quando foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro do ano passado, a nova Lei do Estágio suscitou muitas dúvidas entre empresas, instituições de ensino e estudantes. Com a sua entrada em vigor sem tempo adequado de transição, até mesmo os técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não sabiam ao certo como responder às questões que surgiam. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), que desde o início acompanhou de perto o processo da elaboração do projeto da nova lei e até mesmo ofereceu subsídios para seu aprimoramento, promoveu vários eventos para detectar os principais entraves à aplicação das normas. Ao final, o próprio MTE chegou à conclusão de que seria necessário elaborar um documento para esclarecer os pontos controversos, que pudessem prejudicar a oferta de oportunidades de estágios, que vinha mantendo uma expressiva tendência de crescimento nos últimos dez anos.
O ministro Carlos Lupi e seus assessores aceitaram a empreitada e, no final de dezembro, o MTE divulgou em seu site a esperada Cartilha Esclarecedora sobre a Lei do Estágio, respondendo às 37 dúvidas mais frequentes, muitas delas levantadas nos debates que reuniram empresas, escolas, estudantes e técnicos do governo federal na sede do CIEE, em São Paulo, ou na Central de Atendimento Gratuito (0800-771-2433) criada para dirimir as dúvidas sobre a lei, que já recebeu mais de 64 mil consultas.
A cartilha divulgada pelo MTE, na verdade, vem tranquilizar as empresas, principalmente quanto aos critérios de fiscalização, eliminando, assim, eventuais riscos de interpretações conflitantes que poderiam nascer de diferentes entendimentos legais por parte dos auditores do Trabalho. Além disso, ela define, de modo claro, alguns pontos importantes, como o cálculo que deve ser feito pelas empresas com filiais ou agências espalhadas pelo país ao contratar estagiários do ensino médio ou em que período deve ser concedido o recesso remunerado ao estagiário. Nos pontos abordados, a cartilha conseguiu contemplar os interesses dos jovens e das empresas. No tocante ao recesso, que vem sendo indevidamente chamado de férias, deve ser concedido dentro do período de 12 meses, sendo calculado proporcionalmente no caso de contratos com duração menor. É importante não confundir com férias, pois, apesar de ser remunerado (pelo valor da bolsa-auxílio mensal), o recesso não implica qualquer tipo de encargo.
A decisão sobre a concessão do horário de almoço dos estagiários também agradou a todas as partes. Antes, a interpretação era a de que o estudante só teria direito a 15 minutos de intervalo, computados dentro da jornada. Agora a cartilha deixa claro que o intervalo para almoço poderá ultrapassar aqueles 15 minutos, sem que integre a carga horária, possibilitando, assim, que o jovem se alimente mais adequadamente, fator essencial para a saúde e a qualidade de vida, em especial para quem cumpre a dupla jornada estágio e escola.
Elogiável a atuação do ministério, que agiu rápido para colocar os pingos nos “is”, num claro reconhecimento do valor do estágio, como o mais eficiente caminho para o que o jovem alcance o sonho de uma formação profissional sólida, garantia de futuro promissor na carreira e de um país melhor para todos.


Por Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da FIESP

 
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ARTIGOS - 26/02/2009
Tirem-nos essa dúvida!

Por Antonio Nunes Souza

Qualquer vivente tem conhecimento que os bancos são empresas mais privilegiadas em termos de lucros líquidos. Até as administradas sem muita competência chegam a amealhar alguns bilhões semestralmente, demonstrando assim, que não existe nada melhor que ser banqueiro.
Entretanto, quando por qualquer razão aparece uma crise no mercado nacional ou mundial, os governos são obrigados a fornecer milhões de dólares para esses “pobres” coitados, senão eles fecham, quebram, dão prejuízos aos seus correntistas e aplicadores, naufragam seus acionistas, desempregam milhares de funcionários, enfim, provocam o maior caos, desestabilizando, literalmente, o país.
Na minha santa ignorância em economia, fico me perguntando:
Por que será que acontece isso?  Uma vez que, nas outras empresas, micro, pequenas e médias, quando existe crise cada um se vira para suplantar, inclusive recorrendo aos famigerados bancos atrás de empréstimos com juros extorsivos e prazos impagáveis, tendo que oferecer garantias reais de 150% do valor solicitado e, muitas vezes, para não correrem riscos, os bancos negam radicalmente o socorro?
Não seria muito mais justo e sensato que, assim como eles ganham verdadeiras fábulas, oferecendo um serviço de qualidade duvidosa e desrespeitando clientes com enormes filas, nestas ocasiões de crises eles se valessem das suas gordas reservas para cobrir suas necessidades sem as interveniências governamentais?
Gostaria tanto de saber as razões de tais privilégios! Será que esse forte e robusto mercado financeiro é, sorrateiramente, um provedor das campanhas políticas, para que todos os projetos que chegam aos poderes constituídos no sentido de minimizar seus lucros, sejam logo descartados senão eles perdem a mamata?
Sinceramente, nunca tive uma resposta substancial e convincente que me fizesse entender essa realidade bastante irreal. Na minha concepção de leigo, presumo que, como acontece em todas as áreas, quem está com a grana é quem manda e desmanda. E os bancos são os maiores reservatórios do vil metal! E, como quase todos têm associados internacionais, os grandes lucros vão embora e na hora das tragédias em vez de voltarem para cobrir necessidades, colocam o governo na parede (?) e são agraciados com boladas incalculáveis que, certamente, fará uma grande falta ao povo. Mas, ironicamente, são dadas para essa máfia financeira, com a desculpa inexplicável de evitando uma tragédia para o coitado do povo.
Será que não seria mais justo, sensato e humano investir essas miraculosas quantias diretamente para o povo e deixar eles se virarem com seus lastros adquiridos ao longo dos anos? Voltaríamos a guardar nossas parcas moedas embaixo dos colchões, cofres domésticos ou naqueles porquinhos mealheiros de barro. Pode até parecer uma volta ao passado, mas, certamente, seria melhor que um futuro sem volta, termos que viver extorquido com juros assombrosos dos empréstimos, cartões, cheques especiais e, quando a coisa aperta, eles entram em uma nova bolada em nome da salvação do povo.
Por favor, que alguém nos dê uma explicação compreensiva e lógica para essa grande dúvida que deve pairar na cabeça do sofrido povo brasileiro:
Salvar ou não salvar os bancos? Eis a questão!

 

 
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ARTIGOS - 12/02/2009
EM TEMPOS DE CRISE, SURGE O LÍDER SÉCULO XXI

*Heloisa Capelas


Desde o final de 2008, vivemos uma das maiores crises econômicas da história do mundo e ainda procuramos alternativas para sair dela. No entanto, o que encontramos até o momento foram alternativas paliativas de sobrevivência: planos de socorro para atender emergências que ajudam apenas a algumas pessoas estão sendo sugeridos e implantados em todo o mundo. Porém, o momento exige mais que apenas estado de emergência, mas a mudança do rumo dos negócios. E, apenas quem poderá indicar um novo jeito de lidar com a crise e como sair dela poderá ser o líder do Século XXI.
 Nada de Messias ou Salvador, estamos falando de uma liderança múltipla espalhada pelo mundo e que poderá surgir dos lugares menos possíveis, um líder pronto e disposto a mudar paradigmas. Não uma ilusão infantil ou esperança tola, mas uma realidade possível e próxima que pode ser construída.
 No passado, acreditávamos que o líder era nato. Isto é, nascia pronto e seria líder onde quer que estivesse. Hoje, já sabemos que esse talento pode ser despertado e ensinado, além de ser amadurecido em quem já o tem desde a infância. Para isso, o individuo precisa, por mais incrível que possa parecer, de treino.
 É possível que aceleremos o nosso processo de crescimento e mudança, mas só o conseguimos quando mantemos o "foco" e "disciplina", que é da onde nasce a grande mudança. Até hoje, o foco das pessoas no mercado têm sido “para fora", “para os outros", “para o mercado" ou, em outras palavras, para a economia, instituições, governos e governantes. Isso gerou inúmeros problemas, como a destruição do nosso planeta, a guerra em todos os níveis, a diferença social, e, acima de tudo, a insatisfação pessoal. Mudar esse panorama é mudar o jeito de ver e de fazer e, desta maneira, a grande virada acontecerá, mas apenas para as pessoas que tiverem coragem de olhar para elas mesmas.
 A receita para isso é antiga, mas ainda possui poucos adeptos. Muito se tem escrito e pouco se tem praticado, isto porque o ato de "olhar-se" exige, além da coragem, amor por si mesmo. Amar-se, para a maioria, ainda é repetir o velho paradigma de não querer mudar por medo. Dentro desse paradigma, as chances do autoconhecimento ficam restritas, pois a tendência é evitar saber de si mesmo, da sua fragilidade, inconstância, insegurança, já que daí pode nascer um medo de se sentir excluído e punido, bem como de punir-se.
 A nova idéia é olhar-se com honestidade e abertura, por inteiro e reconhecer o mais belo, forte e poderoso atributo que temos: nossa humanidade, ainda que isso cause medo e estranhamento em um primeiro momento. Somos humanos e essa característica é a que escondemos quando valorizamos, sem perceber, o externo em detrimento de nós mesmos.
 A saída ou alternativa mais eficaz para esse tempo de crise é despertar o líder humano que existe em você, isto é, o líder que possa reconhecer suas qualidades e suas fraquezas, seu potencial e suas deficiências. Para isso é fundamental "passar a vida a limpo" desde a concepção da mesma até a vida atual e descobrir, com clareza, como "você se tornou a pessoa que você se tornou".
 A partir daí, passamos por um processo de transformação emocional. O novo líder será aquele que voluntariamente se apropriar de todo o seu bem e todo o seu mal, isto é, de sua humanidade. Ser humano significa dualidade e incompletude. Amar-se por inteiro é o que vai dar ao líder a qualidade que o momento exige.
 Hoje, já é possível saber quem somos, de onde viemos e que escolhas podemos fazer nesse mundo. No entanto, esse conhecimento não virá do professor, do mercado, da mídia ou do outro, apenas de você mesmo. Programas educacionais focam na construção de habilidades e na aprendizagem cognitiva, enquanto programas transformativos corroboram a perspectiva anterior da pessoa, incluindo sua compreensão e si mesma.
 O líder que nasce pronto continuará perpetuando a insatisfação instalada, no entanto, o líder do século XXI, aquele que já se aprofundou no autoconhecimento, será preparado, descoberto e escolhido por ele mesmo, tornando-se capaz de mudar o mundo e enfrentar a crise com novas possibilidades. Experimentar a autoconsciência será o caminho para transformar o executivo, empresário, doutor, presidente e líder em geral em um ser humano preparado para indicar um novo jeito de caminhar.
 O líder do século XXI sabe onde está e onde quer chegar, pois é líder de si mesmo. Ele abandona as máscaras e assume, com propriedade, o seu lugar no mundo sem convocar, impor, ameaçar, implorar, mas simplesmente caminhar, tendo os outros o seguindo com prazer e satisfação. Este não é um projeto milagroso e já está acontecendo. Talvez se mais pessoas soubessem, o processo seria acelerado e, quem sabe, ainda será possível sair da crise com dignidade e crescimento.
 
• Heloisa Capelas é terapeuta familiar especializada em reeducação emocional. Diretora Terapêutica do Centro Hoffman desde 1998, é formada em Assistência Social e pós-graduada em Administração com enfoque em Recursos Humanos. Além disso, é considerada Master Practitioner em Programação Neurolinguística, com formação em motivação e conquista de objetivos, e especialista em Psicodinâmica Aplicada aos Negócios.

 

 
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ARTIGOS - 11/02/2009
Odeio o verão!

                                                               Antonio Nunes de Souza*

Quem ler essa minha exclamação, certamente deve imaginar que sou louco. Pois, morando em uma cidade onde o sol é uma das suas grandes atrações, suas praias os maiores ingredientes apelativos de turistas, onde se pode apreciar os corpos bronzeados e sedutores das lindas e faceiras baianas, banhar-se nas águas mornas e calmas, sentar-se em uma cadeira com recosto ajustável e tomar uma cerveja geladíssima degustando algumas lambretas ou um delicioso acarajé e, como complemento, desfrutar do por do sol mais lindo do mundo, sapecando o céu com um colorido que só a natureza com sua magia divida é capaz de pintar. E, se tiver ao nosso lado uma companhia agradável, tem que  se ajoelhar e agradecer a Deus de meia em meia hora por proporcionar tal dádiva, que os esquimós e os nórdicos jamais serão agraciados.
Suponho que até aqui você concorda plenamente com minha descrição rápida, simples e convincente de algo maravilhoso, talvez a que todos sentem e apreciam nessa estação climática, e eu, tanto a odeio.
Aí vem a sua estranheza e curiosidade, para saber o “por que” desse meu trauma, mesmo reconhecedor com detalhes da deslumbrante beleza.
Lógico que explicarei a razão principal da minha ojeriza, raiva, pavor  e, consequentemente, meu ódio mortal!
Claro que moro em Salvador, cidade das mais belas do mundo, provida por tudo que falei acima. Mas, sabe onde moro? Cajazeiras, meu amigo! E não podemos nem dizer que é longe, porém, se dissermos que é na casa do caralho, deduz-se logo que é no cu do mundo. Somente isso já seria uma justificativa de desgosto, mas, trata-se apenas da modesta revelação do meu endereço para que você comece sentir minhas razões. Depois de lutar para conseguir dormir com uma linda orquestração de muriçocas no ouvido, acordo às cinco da manhã, tomo meu cafezinho preto com pão e margarina, preparo uma marmitinha para o almoço e saio às pressas para pegar meus três transportes para chegar as oito no emprego de escriturário lá no Centro Administrativo. Uma puta viagem e, se não bastasse, o buzu lotado, nunca se encontra lugar para sentar, pois parece que a merda já sai da garagem lotado. Um calor filho da puta e o motorista com seu sadismo de pobre que gosta de sacanear pobre, vai dando aqueles freios de arrumação que só falta arrancar meus punhos agarrados nos suportes do teto. E ainda tenho que olhar para aquele sorriso maroto dele enfeitado com um palito de fósforo no canto da boca. A bem da verdade, tenho o privilégio de passar por uma parte da orla, ver a beleza do mar, a serenidade da praia, alguns pescadores da madrugada puxando suas redes, o sol raiando e refletindo seus lindos e quentes raios nas águas às vezes azuis outras verdes. E eu, em pé, segurando a marmita, com rodas de suor nas áxilas, filetes descendo pelas costa indo até a bunda e a testa parecendo aquele plástico de embalagem que gostamos de ficar pocando (cheio de bolhinhas). Cada ponto que o buzu pára é um sofrimento com a passagem das mulheres batendo suas bolsas do tamanho de um balaio e os homens com enormes e sujas mochilas nas costas. Sem contar os peidos de cerveja e cachaça que, mais que eventualmente, temos que degustar imaginando que é Kouros de YvesSaintLaurent para aliviar o sofrimento.
Ao chegar ao meu ponto, ainda tenho que andar uns 300 metros até a empresa. Entro na minha sala, guardo a marmita na velha geladeira da improvisada copa, sento em minha mesa, ligo um maldito ventilador de teto que faz um barrulhinho sacana em meus ouvidos o dia todo, além de ficar jogando um ar quente, importado do inferno, bem encima de mim. Vale dizer que, embora seja uma empresa de certo porte, o patrão acha que ar condicionado é luxo e bastante dispendioso. Você deve imaginar como, mentalmente, elogiamos sua genitora!
No fim do expediente, que sempre ultrapassa às dezoito horas, volto para o ponto, espero pelo menos meia hora um buzu que me sirva (que sempre já chegam lotados), volto para casa chegando as vinte e trinta depois de enfrentar um trânsito filho da puta e um calor muito mais acentuado, regado ao cheiro de suor dos como eu: Passageiros da agonia!
Você há de convir que, mesmo eu reconhecendo a maravilha que é o verão, como poderei gostar dele se não posso desfrutá-lo? Na verdade o certo seria dizer que o que sinto é uma dor de corno! Mas, como sou radical e vejo que essa situação não mudará, transformei esse desgosto em ódio figadal e cruel.
E, para ser sincero, também odeio o inverno! Pois minha casa fica cheia de goteiras, tenho que afastar os móveis, saio debaixo de chuva, chego ao trabalho molhado e suado porque os vidros do buzu vêm fechados, fico gripado e quando chego na volta tenho que pegar a vassoura e o pano para limpar e enxugar os cômodos. Mas... isso é outra estória!

 *Escritor (Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

 

 
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