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História - A Urbanização

Juvêncio Peri Lima, um idealizador
Juvêncio Peri reconheceu que a sede do povoado deveria permanecer em torno do largo onde haviam diversas casas em circulo, mesmo com todas as imperfeições de seu relevo. As imperfeições que ficavam por conta de um morro com aproximadamente 200 metros de comprimento por três a quatro de altura, que se estendia no sentido norte-sul, logo acompanhada de uma extensa região baixa, sempre alagada em decorrência das constantes chuvas e enchentes do rio.
Peri tinha dúvidas quanto a eficiência de seu trabalho com essas irregularidades interferindo no projeto que pretendia executar. Aproveitou então, máquinas, caminhões e operários que concluíram a rodovia Pirangi-Itacaré, em 1934 (em estrada de chão), dando logo inicio ao desmonte desse morro, mesmo sob imenso protesto daqueles moradores que tinham nele suas casas, a maioria de tábuas e cobertas com palhas de catolé, ficando a região conhecida por Rua da Palha.
Todo o material do desmonte foi aplicado na correção do largo que teria seu nível elevado em três ou quatro metros, protegendo o local das grandes e repetidas enchentes do rio Almada. Enquanto máquinas e operários davam inicio aos trabalhos, um reforçado cais de pedra bruta, ainda existente, fora logo construído e necessário para suportar a pressão do aterro, e conseqüentemente servir de apoio a estrutura de uma ponte que pretendia-se construir, ainda na sua administração.   Em pouco tempo esse largo fora transformado num movimentado canteiro de obras, onde vários barracões de madeira foram levantados para servir de dormitórios, depósitos de material e combustível para as máquinas.
Com o início das obras, a travessia de pessoas e animais no local fora imediatamente suspensa. Juvêncio contornou o problema colocando um pouco abaixo, em frente a casa/comércio de João Maurício e José Laudelino, um imenso e pesado tronco de árvore seccionado, que só permitia a passagem de pessoas, e logo foi apelidado pelo povo de Pau de Peri, aí permanecendo por cerca de 40 anos, até hoje existente, porém em forma de passarela de concreto.

Dr. Tatu e a formação do Centro Comercial do Povoado

Na Rua da Palha, uma construção se destacava, era o Cine Rio Branco que não pode ser demolido em virtude de suagrandiosidade. Peri continuava recebendo críticas e criando algumas inimizades, estas insuficientes para modificar o seu projeto, mesmo depois de ganhar da população o apelido de Dr. Tatu, contudo incentivado pelas sucessivas doações financeiras que recebia de comerciantes e fazendeiros.
Todos os esforços do administrador estavam concentrados em torno desse grande largo, e pretendia-se transformá-lo numa praça e no centro comercial do povoado. Eram trabalhos executados à base de enxadas, picaretas, pás, algumas caçambas e várias galeotas, que eram pequenas carroças de duas rodas puxadas por uma, às vezes duas pessoas. Esse aterro durou cerca de três anos de trabalho, até o nível da praça atingir o desejado pelos engenheiros.
A rua da Palha e a praça já com os recursos da energia elétrica foram inaugurados por volta de 1936/37, com o nome de Eusínio Lavigne numa homenagem ao prefeito de Ilhéus que administrou o município entre 1930 e 1937. Esse nome permaneceu até após a emancipação de Coaraci.
A praça possuía quatro canteiros gramados, cada um deles com três bancos de cimento, três mudas de fícus e toda contornada por oito postes oitavados de madeira, pintados na cor azul-claro, com uma lâmpada em cada topo. Na parte central havia um poste de ferro fundido, de origem inglesa, com três lâmpadas distribuídas em sua parte mais alta.
O calçamento da praça fora executado com paralelepípedos e a instalação elétrica subterrânea logo se tornou num orgulho para a irrequieta população, que diariamente ali se reunia e permanecia até muito depois da meia-noite.
A rua da Palha, calçada com pedra bruta, seria inaugurada com o nome de Rua Rui Barbosa, numa homenagem ao grande político e jurista baiano.

A Energia Elétrica
A praça era o local mais indicado pra um bom bate papo e parecia ser uma extensão de cada lar. Saía-se de casa, olhava-se as atrações do cine Rio Branco, do cine-teatro Coaraci ou do Cine Glória, e chegava-se na praça onde se permanecia por horas a fio, não raro, até alta madrugada em meio a pequenos e ruidosos grupos alegres e sorridentes.
A energia elétrica fora implantada através dos esforços do grande ilheense Dr. Ricardo Libório, que aproveitou o declive do Almada, em pleno perímetro urbano, construindo uma barragem que produzia força hidráulica que fazia girar uma pequena turbina. A partir daí, algumas ruas do povoado permaneciam com suas luzes acessas durante toda a noite, em pequenos postes de madeira.

A Rua Atola Tamanco
O decreto lei 11.089 de 30 de novembro de 1938 executou mudanças na toponímia de vários distritos de Ilhéus, através deste, Guaraci passou a ser o novo nome do já distrito.
Logo após concluídos os trabalhos da praça Getúlio Vargas e rua Rui Barbosa, Juvêncio deslocava técnicos e operários para melhorar o aspecto deplorável de uma rua que crescia a cada semana, com muitas construções que não obedeciam a nenhum planejamento e logo cognominada pelo povo de rua Atola Tamanco. Esse nome surgira em decorrência das freqüentes perdas e danos de sandálias e tamancos em meio aos demorados alagamentos e lamaçais provocados por um pequeno córrego que corria numa parte alta da fazenda de Elias Leal, no extremo sul do povoado.
Seu aspecto contrastava com a nova aparência da praça Getúlio Vargas, recém inaugurada. Qualquer intensidade maior de chuva fazia com que suas águas descessem com quase um metro de altura pela atual rua J J Seabra, arrastando todo tipo de entulho e alagando residências e casas comerciais situadas em muitos trechos da região central do povoado, problema apresentando até os dias atuais, pois com a pavimentação da ruas e pouca quantidade de áreas para escoamento das fortes chuvas, em muitos momentos de chuva intensa, casas comerciais e lojas são invadidas por cerca de 50 centímetros de água.
Elias Leal, a frente da administração do povoado e Jário Góes já como prefeito realizaram diversas obras para evitar os alagamentos em suas gestões, foi aí que a rua teve seu nome alterado para rua J. J. Seabra, com calçamento em pedra bruta.

A grande obra, uma ponte sobre o rio Almada
Foi a última realização de Juvêncio Peri Lima nos seus 12 anos a frente da administração do povoado, sendode importante relevância para a nossa emancipação.
A última grande e importante obra de Peri Lima, àfrente da administração de Itacaré foi a ponte (foto) de concreto, em 1942. Sua conclusão beneficiaria todos os cacauicultores da região norte que viam suas tropas alcançarem sem dificuldades, os armazéns e agências compradores de cacau, localizadas nas ruas centrais da vila.
Com essa inauguração estaria encerrado o longo e eficiente período de Juvêncio Peri Lima à frente de nossa administração.
Através do decreto-lei 141 de 31 de dezembro de 1943, posteriormente ratificado pelo decreto estadual 12.978 de 01 de junho de 1944, o distrito de Guaraci teve o seu nome alterado para Coaraci, nesta época com uma população urbana em torno de 16 mil habitantes.
A emancipação de Coaraci não fora impedida pelo governo de Ilhéus, prova disto foi a permanência de Juvêncio Peri Lima por cerca de 12 anos a frente da administração local promovendo vantajosos avanços urbanos para o povoado.
Juvêncio retornou a ilhéus e faleceu em Salvador no ano de 1958 com problemas de saúde.

Resumo:
O município de Ilhéus enviou ao povoado o Sr. Juvêncio Pery Lima para organizar a urbanização da cidade. Ele usou máquinas pesadas para abrir ruas, aterrar o largo da Praça Getúlio Vargas e contruir a ponte principal ligando a cidade ao outro lado do rio. Por sair escavando a cidade ele ficou conhecido como Dr. Tatu. Foi dele a idéia urbana que a cidade tem até os dias atuais no centro da cidade.

 

 


Praça Eusínio Lavigne
Atual Calçadão


Barragem no Rio Almada
para gerar energia


Barragem com as
compotas abertas


Construção da Ponte
principal da cidade


Ponte Principal por
volta da década de 50


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