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História - A Emancipação

O movimento pela emancipação
Os primeiros movimentos pela emancipação surgiram por volta de 1947/48, com a aproximação das eleições de outubro de 1950, reforçada ainda, pelo provável retorno de Getúlio Vargas, ao Poder. Era uma fase em que o Brasil estava envolvido por uma grande ansiedade política, e Coaraci estava dentro desse contexto, principalmente quando recebeu a visita do governador Dr. Octávio mangabeira, quando o distrito era administrado por Elias de Souza Leal.
A constante presença de políticos nas ruas de Coaraci insuflava ainda mais a população. Eram candidatos a vereador, a deputado, a prefeito, a senador, em inicio de conquista ao eleitorado, e distribuídos pela UDN, o PSD e o PTB, este de maior preferência.
Durante semanas, Coaraci teve o privilégio de realizar grandes comícios, com oradores dotados dos mais elevados dons da palavra. Nesses discursos fazia-se qualquer referência ao nome de Getúlio, ou mesmo do PTB. Pequenos aviões em vôos rasantes despejavam sobre Coaraci propagandas e chapas dos mais diversos tamanhos.
Nos últimos dias de setembro de 1950, um comício monstro havia sido programado para Coaraci, às nove da noite, mas as 18 horas um movimento de pessoas já se fazia presente no local. A caravana que vinha de Ilhéus, passou inicialmente por Uruçuca e Itajuípe onde se atrasaram, o povo aguardou até às duas horas da manhã, quando a comitiva que já esperava não encontrar mais ninguém, pelo avançado do horário, se emocionou ao ouvir “Getúlio, Getúlio, Getúlio”. Era um comício do PTB.
Logo após o encerramento das urnas, iniciava-se a correria pelos números da votação. Enquanto uns não afastavam o ouvido do rádio, outros corriam apressadamente pelas ruas, de lápis e papel na mão, mostrando a quem interessasse os mais recentes votos de Getúlio Vargas.

Os administradores de Coaraci

Conceituadas personalidades ocuparam o cargo de Administrador, antes de sua emancipação política. Juvêncio Peri Lima, foi dentre todos o mais conhecido deles, e o que por mais tempo ocupou a função, sendo portanto, o grande responsável pela urbanização, onde Coaraci deu inicio ao seu crescimento, sempre a partir da atual praça Getúlio Vargas. Antenor Lira e Etelvino Coutinho também ocuparam o cargo, embora não tenha sido encontrado nenhum documento nos anais da Câmara Municipal de Ilhéus e de Coaraci. Aristides de Oliveira e Elias Leal foram os últimos a ocupar o cargo. Elias Leal, como o último deles, teve o privilégio de aqui receber o governado Octávio Mangabeira, por volta de 1948.
A construção da ponte em 1942, promoveu um grande crescimento no lado esquerdo do rio, até então rejeitado por muitas pessoas, em decorrência das dificuldades de travessia. Lojas, casas de ferragens, farmácia, açougue, padaria, agências e armazéns de compra de cacau, estavam todos em seu lado direito. Algumas pensões, atém então localizadas próximas a praça, mudaram-se para o outro lado.
Coaraci tornou-se célebre pelos apelidos colocados em seus habitantes, muitos adquiridos por acaso. Outros, surgiram em decorrência de alguma aparência física, algum tipo de atividade executada pela pessoa, ou simplesmente uma demonstração de carinho por parte dos amigos. Toninho Casca Grossa, Peixe Frito, Miloca, Lulu, Suarinho, Jacaré, Zeca Branco, Dunga, Beiju de Massa, Vevéio, Pecadão, eram alguns dos apelidos dados a alguns coaracienses.
Destes momentos de apelidos ressaltamos a região da cidade denomina “Alto do Beré” (região do CEC), que leva este nome em decorrência de uma briga que aconteceu no momento em que um beré pescado no rio estava sendo assado numa fogueira naquela região.
Todos esses apelidos surgiram com o tempo, e sem nenhuma intenção de magoar ou humilhar qualquer pessoa. Talvez uma maneira de poupar seus verdadeiros nomes. Por volta de 1980, já haviam caído em total esquecimento.

Ambientes agradáveis . . .
Coaraci possuía cerca de 20 mil habitantes em sua sede municipal no inicio da Administração de Aristides de Oliveira. Com o aumento da população, o serviço de energia elétrica tornou-se precário, em decorrência de um consumo muito acima da capacidade da pequena turbina, onde o potencial hidráulico diminuía a cada ano. Ruas e praças mostravam um aspecto desagradável compensado apenas, pela alegria de seus habitantes. Circos, Parques, Cinemas, algumas marcenarias logo procuraram gerar sua própria energia para garantir seu funcionamento. Em alguns momentos, o fornecimento tornava-se tão precário que nem sempre permitia saber se determinada lâmpada, estava ou não acesa, outras vezes, sofria picos ultrapassando facilmente os 110 e atingindo 400 volts, provocando rompimento da rede elétrica, fios soltando faíscas, com grandes riscos aos moradores. Os prejuízos nunca foram reembolsados e muitos consumidores imitiam-se em pagar o consumo.
Barbearias, alfaiatarias, selarias, marcenarias, lojas, armazéns de cacau, bares, snookers, eram muitos e se espalhavam pelos principais cantos da cidade. Eram ambientes agradáveis e ideais para longas e demoradas conversas, onde muitos tinham cadeiras cativas, ocupadas em horários quase rígidos. Essas demoradas conversas serviam de inspiração e até melhoravam a qualidade do trabalho de alguns profissionais, enquanto faziam cabelos, engomavam calças. Nessas prosas, fatos verídicos eram aumentados ou diminuídos ao passar de uma rua para outra.
Falta de dinheiro em nenhum momento era motivo para essas conversas. Coaraci, suas ruas, suas fazendas, a política, os filmes que os cinemas iriam exibir, o futebol da cidade e do Rio de Janeiro, tudo enfim, gerava oceanos de assuntos para serem discutidos nessas tantas rodinhas de bate-papo, já que eram uma característica da época. Nas pontas de rua, nas vendinhas e botecos espalhados pelas estradas afora, havia os tradicionais tamboretes fixados na terra, sempre próximos a alguma casa, como forma de alimentar o papo.

O Ato de Emancipação
Um ato simbólico de assinatura do decreto de emancipação de Coaraci deu-se em Salvador no dia 7 de Setembro de 1952, diante de uma delegação de coaracienses altamente representativos, como as Srtas. Joselita Santos a Altamira Rebelo, João Batalha, Dr. Ricardo Libório, Sra. Edelvira Quadros, Dr. Antenor Araújo, Prof. Diógenes Mascarenhas de Almeida, José Augusto Quadros e seu filho Josemar, Enoch Ramos, João Muniz Cardoso, que, através de seus próprios recursos desconheceram dificuldades para assistir ao mais importante momento da história do município.
Porém a emancipação política de Coaraci só entraria em vigor no dia 12 de dezembro de 1952, uma sexta-feira, desmembrando-se de Ilhéus pela Lei Estadual 515, quando o município era administrado pelo prefeito Pedro Vilas Boas Catalão, assinada pelo então Governador Luiz Régis Pacheco Pereira e publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia em 17 de dezembro.

A festa da Emancipação

Coaraci, nesse dia 12, por volta das quatro horas, com a madrugada ainda se fazendo presente, foi acordada com os tradicionais foguetes do Romualdo e pelos acordes da Filarmônica do Maestro João Evangelista Melo, que rapidamente tomou conta das ruas e praças, dando inicio às comemorações de sua elevação à condição de município.
Em meio a agitação das ruas e praças, entrava no ar, A Voz da Liberdade com seus alto falantes já transmitindo as palavras do tribuno Helvécio Lemos, levadas aos principais cantos da cidade, num longo e emocionante improviso, que a todos empolgava. A Voz do Comércio de Oscar Ciriaco de Araújo e os alto falantes do Parque Estrela do Sul de José Ângelo e Valdir Freitas, também abriram seus microfones deixando-os a disposição da população para manifestar suas emoções.
Portas e janelas continuavam abertas desde a madrugada em muitas casas e viam-se um ir-e-vir continuado de pessoas apressadas em torno de grande mesas, sempre regadas a muita alegria e muita conversa, em almoços que se iam sucedendo um após outro, tantos quantos fossem necessários, tudo por conta do dia 12 de dezembro.
Antes mesmo do inicio da noite, um imenso movimento de pessoas vestidas em suas melhores roupas já se faziam presentes na zona central da cidade, dando voltas em torno do jardim, parque Estrela do Sul e áreas adjacentes.
O cine Glória, o cine-teatro Coaraci, as igrejas Católica, Batista, Pentecostal, adventista estavam literalmente superlotadas e com uma movimentação incomum em suas dependências. Às 21 horas já eram cerca de quatorze ou dezesseis mil pessoas se acotovelando pelas ruas e praças da cidade, alguns até procurando lugares mais afastados para poderem se deslocar e conversar com mais liberdade. A meia noite já estava se aproximando, e o povo continuava a chegar em pleno coração da cidade, quando o serviço de alto-falantes entrava numa contagem regressiva convidando todos os presentes para um extenso abraço fraternal, com quem lhes estivessem próximas.

O dia 13, a vida pós emancipação
Os primeiros claros do dia 13 começavam a surgir no horizonte. Pessoas de todas as idades continuavam girando em movimentos alegres, enquanto outras faziam pequenas filas diante das bilheterias, à procura de ingressos para as atrações que o parque oferecia desde as primeiras horas da tarde do dia anterior.
A euforia que tomava conta da população nesse dia 12 de dezembro de 1952, sexta-feira, foi estendida ao sábado e domingo, 13 e 14 e se prolongou por mais uma semana 21, 22, com grande parte da população rural aqui permanecendo e aguardando os já tradicionais encantos do Natal Coaraciense.
Coaraci sempre se destacou por sua alegria, mas nesse dia 12 de dezembro, ultrapassou todas as expectativas. Nosso comércio nunca vendeu tanto. Lojas, alfaiatarias, costureiras, sapatarias, eletricistas, pintores, tiveram que recorrer ao sacrifício para atender a tão grande número de fregueses, que a todo instante queria mais uma gravata, uma calça ou um terno, um vestido ou uma camisa, um sapato, e sentir-se mais à vontade em meio ao povo.

A alegria coaraciense
Por cinco ou seis anos consecutivos, calorosas alvoradas aconteciam em homenagem à emancipação, mas já enfraquecidas em torno de 1959/60, até cair em total esquecimento pela população e pelos poderes públicos. Essa alegria coaraciense não se manifestou apenas em 1952, com a emancipação. Já era uma realidade por volta de 1937/38, com o número de casas e população, extremamente superior a doze ou quatorze casas de 1930, mesmo com o calçamento abrangendo apenas alguns poucos pontos centrais do povoado.
O parque Estrela do Sul dava inicio às suas atividades tendo participação efetiva no Natal coaraciense e de onde nunca se afastou, transformando essa alegria numa verdadeira paixão, por cerca de 25 anos consecutivos. Por volta de 1965, as festas de Natal já apresentavam profundo declínio, não sendo raras as vezes que o município não tinha nenhuma atração em suas ruas.
Waldeck Barreto Nogueira (o Pai), comerciante bem sucedido durante seis ou sete anos substituiu as atrações do Parque Estrela do Sul, responsabilizando-se pela alegria da cidade, contratando parques de diversões para animar os festejos natalinos em Coaraci. Esses parques eram instalados ao longo da Av. Almerinda de Carvalho Santos, à margem esquerda do Rio Almada, sempre nas proximidades de seu comércio. Parques outros continuaram a se instalar, ora na praça Jário Góes, ora nas imediações da rodoviária, e até ao lado de uma pequena Igreja, na região da Feirinha, mas inteiramente ignorados pela população.
Das dezesseis mil pessoas ou mais presentes na praça no Natal de 1950, estavam reduzidas a sete ou oito pessoas em 2000, sentadas tristemente no jardim; nove ou dez na praça ao lado, onde um parque de diversões, em vão, esperava pelos freqüentadores para entrar em funcionamento. No calçadão 14 jovens corriam de um lado para outro visivelmente drogados e ostentando publicamente seus cigarros condenados, numa clara demonstração de perda de valores morais.

A prefeitura de Coaraci
O distrito por não dispor de um imóvel adequado para a instalação da Prefeitura Municipal, aproveitou-se de um espaço onde funcionava um Grupo Escolar, logo submetido a uma profundamudança em sua estrutura para comportar o Gabinete do Prefeito, Secretarias e Câmara de Vereadores.
A emancipação de Coaraci foi um processo lento, e consolidou-se depois de uma luta árdua que vinha se realizando,a cerca de cinco ou seis anos, mas que se tornou evidente quando recebeu a visita do Governador Octávio Mangabeira por volta de 1948, quando era administrador o Sr. Elias de Souza Leal. Foi um dia triunfal para seu povo, principalmente para os estudantes que mais uma vez ocuparam as principais ruas, portando faixas e cartazes, em freqüentes passeatas que pediam a urgente emancipação do distrito.
Com a emancipação política concretizada em 1952, a divisão administrativa – distrito, deixaria de existir e conseqüentemente ficaria extinta a função de administrador, ocupada até então por Elias de Souza Leal. Emancipado, sem prefeito e sem vereadores, Coaraci seria gerenciado por um Gestor, função exercida por Jário de Araújo Góes, que ficaria no cargo aguardando as eleições gerais de 1954.
Com as eleições de 3 de outubro elegeu-se prefeito o Sr. Aristides de Oliveira, do PTB, vencendo Elias de Souza Leal.
A posse dos eleitos aconteceu nas dependências da Prefeitura, no espaço reservado à Câmara Municipal, no dia 7 de abril de 1955, através do juiz eleitoral Dr. Osvaldo Nunes Sento Sé.  


Resumo:
A luta pela emancipação teve fortalecimento no final da década de 40, principalmente com a visita do governador Octávio Mangabeira, mas foi em 1952 que o governador Régis Pacheco assinou em 7 de Setembro o decreto de emancipação que foi publicado no dia 12 de dezembro do mesmo ano. Após a emancipação governou Coaraci provisóriamente o Sr. Jário Góes, sendo que em 1954 foi eleito o Sr. Aristides de Oliveira como primeiro prefeito.

 

 


Visita do Governador
Octávio Mangabeira


Visita do Governador
Octávio Mangabeira


Visita do Governador
Octávio Mangabeira


Estudantes aguardando a chegada do governador


Mais uma imagem da visita
de Mangabeira em 48


Assinatura do decreto
de Emancipação em 1952


Gov. Régis Pacheco no
Decreto de Emancipação


Praça Vargas em meio a notícia da Emancipação


Primeira sede da Prefeitura
no mesmo local atual


Aristides de Oliveira
descendo a Ladeira da
Favela rumo à sua posse


Entrada na prefeitura para
a solenidade de posse


Juiz Eleitoral Dr. Osvaldo
Nunes na posse

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