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História - O Desenvolvimento
O Crescimento das Ruas da Palha e Atola Tamanco
Nos primeiros anos de 1930, as ruas da Palha e Atola Tamanco cresceram juntas, paralelas, até se encontrarem num outro largo, 600 metros acima, dando origem a uma pequena praça, chamada de Caramuru (hoje praça Elias Leal). A Rua Atola Tamanco ultrapassou essa praça, prosseguindo reta através de sua linha de ação até encontrar a sede da fazenda de Elias Leal, já com diversas pequenas casas construídas, e com o nome de rua do Cacau.
A meio caminho das ruas Atola Tamanco, onde atualmente está a agência do Banco do Brasil, era o cemitério de Macacos. Peri Lima achando da inconveniência de sua localização, aceitou e agradeceu a oferta de uma área gentilmente cedida por Manuel Peruna, em cujo local funciona até hoje o Cemitério Campo Santo.
A partir do momento em que o povoado mostrou que era uma realidade, continuou a receber apoio e investimentos de agricultores e pecuaristas, que mantinham seus lucros guardados em suas fazendas. Itacaré (Coaraci) continuava crescendo rapidamente, e empurrando para trás as diversas sedes de fazendas que estavam em seus limites.

Getúlio Vargas e sua importância na nossa história
Os sucessivos acontecimentos estaduais e nacionais nos anos 30, tiveram importante significado para Coaraci, a constante presença de submarinos de guerra no período da 2ª guerra mundial, não apenas em todo o Oceano Atlântico, mas principalmente na nossa costa, como reação dos alemães pelo apoio dado por Getúlio Vargas às forças aliadas, prejudicou profundamente as exportações, fazendo com que muitos produtores, por falta de preços, jogassem dentro do Rio Almada, em plena vila, todo o cacau trazido de suas fazendas.
Passada a guerra, uma visita de Getúlio a Ilhéus, em campanha a presidência da república em 1950 provocou o deslocamento de muitos coaracienses, que queriam vê-lo de perto. A multidão que o esperava no cais do porto, impediu que esse desejo se concretizasse. Ao deixar a lancha que o traria a Ilhéus, disse em alto pronunciamento que se o colocassem na presidência, seria construída a ponte Ilhéus – Pontal com a seguinte frase "Ilheenses, façam-me uma ponte ao Catete, que eu farei a ponte para o Pontal".
Getúlio no mandato iniciado em 1951, não conseguiu superar as forças que agiam contra o seu governo, e ele, não suportando às pressões, cometeu suicídio em 24 de agosto de 1954.
Em Coaraci aulas foram suspensas, o comércio cerrou as portas e as rádios alteraram as suas programações. Nas ruas de Coaraci a consternação não era menor, muita gente chorava copiosamente pelas ruas ou trazia no rosto sinais de abatimento pela morte do grande estadista. Fotografias suas estavam em quase todas as casas misturadas às da família, como se um parente fosse.

Uma praça onde corriam as notícias
Em 1938, outro fato surpreendeu e causou verdadeira agitação dentro do povoado – a morte de Lampião e parte de seu bando. As primeiras notícias fizeram a praça adquirir por alguns dias um movimento invulgar, dificultando até o deslocamento de pessoas, que para lá se dirigiam, vindos inclusive de suas fazendas à procura de confirmação.
Coronéis e jagunços, antes temidos, não mais incomodavam ou estavam com suas forças bastante limitadas na região. Essas agitações no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador fizeram fazendeiros recorrer às armas para proteção de seu patrimônio e de suas famílias. A praça inaugurada em 1936 logo se transformou no ponto maior de reunião de coaracienses, onde as pessoas se encontravam para obter informações seguras que circulavam pelos bastidores. Como a praça só comportava 96 pessoas sentadas em seus 12 bancos, as demais se conformavam em permanecer de pé por longas horas, em conversas mantidas ao pé do ouvido nas costumeiras rodinhas de bate-papo.
Nesta mesma praça, neste mesmo ano estava sendo conhecida a nova moeda brasileira, o cruzeiro, que no dia 01 de novembro substituía o mil-réis. O cruzeiro teria o mesmo valor do mil-réis, e o tradicional conto de réis equivaleria a mil cruzeiros.

As marinetes e avenidas . . .
Foi em 1939 que teve inicio a primeira linha regular de marinetes entre Ilhéus e a vila de Guaraci. Era realizada pela ETU (Empresa de Transportes Urbanos) de propriedade de Elísio Nunes, que também era representante da Ford para a região sul do estado.
Enquanto as ruas Atola Tamanco e da Palha estavam e fase final de urbanização, uma outra, também ia surgindo, tomando forma acompanhando o Rio Almada pelo sua margem direita. Essa rua seguia em direção a atual praça Régis Pacheco e que posteriormente consolidou-se como uma saída para Pirangi (Itajuípe), mais tarde unindo-se à Av. Juracy Magalhães.
Do lado esquerdo do rio, a partir do canteiro de obras em direção ao norte, uma longa trilha perpendicular já se havia transformado numa estrada a céu aberto, com várias casas esparsas em ambos os lados: era a Ruinha de José Ramos. Por esse caminho, atual Av. Itapitanga, chegava quase todo o cacau produzido do lado esquerdo do rio.
Foi em 1940 que Coaraci tomou conhecimento da criação do primeiro salário mínimo do País, mais uma atitude de Getúlio Vargas, que tinha valor equivalente a 250 dólares americanos e valeria em 2003 cerca de R$ 1.000,00.

Os pioneiros no Comércio e na Indústria
Coaraci, em 1937, ainda na fase de Itacaré, dava inicio a uma longa e importantíssima ligação histórica e comercial com Santo Antônio de Jesus e Nazaré. Essa ligação teve origem quando aqui desembarcaram cidadãos como Joaquim Henrique dos Santos e seu irmão Waldivino Henrique dos Santos (este pai do ex-prefeito Elivaldo), Gustavo Almeida e Jonas Galvão (este pai do prefeito Gima), todos acompanhando José Augusto Quadros (pai do popular Zeca Branco, este falecido em 2004), que veio analisar o potencial da região para futuros investimentos.
Gostando da cidade, José Augusto inaugurou uma grande casa comercial, dividida em: Secos e Molhados e Tecidos, esta que foi chamada de “A Predileta”.
A confiança na nova terra foi tão forte, que José Augusto, no ano seguinte fora buscar sua esposa e seus filhos, logo se constituindo num baluarte em prol da urbanização da antiga rua da Palha, onde foi o responsável pela construção de vários e vários imóveis, não apenas para comércio, como também para residência.
Posteriormente, Josemar Quadros (Zeca Branco), legitimo sucessor da família Quadros, viria a ser o primeiro coaraciense a se utilizar de uma linha telefônica no distrito. Esta linha fazia a comunicação entre o Escritório e o Curtume e a Fábrica da Sabão, situadas em lados opostos da sede distrital.
A família foi proprietária de um Curtume, de um Alambique, de propriedades de Cacau a partir de 1952 e da cerâmica existente até hoje desde 1960.
Tempos depois chegou a Coaraci o Sr. Otaviano José de Oliveira, ele que instalou uma importante loja de tecidos ao longo da rua Rui Barbosa, tendo posteriormente destacada participação na fundação do Ginásio de Coaraci e nos destinos da cultura no distrito.
A medida que a população aumentava, crescia também o respeito e admiração do povo pelo caráter e personalidade de José Augusto Quadros. A rua Rui Barbosa parecia uma dependência de sua própria casa, tal a popularidade e a freqüência com que era visto, num entra-e-sai, até as primeiras horas da noite. Sua residência em estilo neoclássico, ocupou a maior área destinada a uma casa, em toda a história da cidade. Ocupava toda a parte sul do quarteirão entre as atuais ruas Rui Barbosa e João Batista Homem Del Rei, ao longo da rua sete de setembro. Se tivesse sido preservada seria um marco da participação deste cidadão nos destinos do município. Ao lado foto de uma fachada que resistiu ao tempo, datada de 1936, onde funcionaram importantes casas comerciais na Rua Rui Barbosa.
A vila de Guaraci continuava recebendo ilustres cidadãos de Santo Antônio de Jesus, Joaquim de Souza Barreto seria mais um deles. De pequena estatura, logo difundiu sua extrema popularidade por toda a população. Também dedicou-se ao comércio lojista em sociedade com o sogro José Evangelista de Farias.

O fortalecimento do Comércio local
Por volta de 1952, época da emancipação política, Coaraci estava em pleno apogeu de seu comércio e de sua cacauicultura, valores estes em grande parte, adquiridos através da presença e dos esforços desses valorosos cidadãos de Santo Antônio de Jesus e Nazaré. Esse ciclo de evolução contou ainda com a presença de uma série de outros importantes homens de negócios: Ulisses Reis, Agostinho Reis, João Reis e Joaquim Reis.
De Santo Antônio de Jesus chegaram ainda Hermínio Barreto em 1949, em companhia do comerciante Primitivo Sande. Inicialmente trabalharam no ramo de secos e molhados, tendo o Sr. Hermínio partido para a cacauicultura. Em Janeiro de 1953 chegou a Coaraci Onéssimo Barreto, o Neca e por último Erasmo Barreto que seguiram o mesmo destino do irmão Hermínio. As suas irmãs Carmelita, Valdelice e Estelita Barreto chegaria posteriormente.
Nelson Sande, Alcides Sande, Waldeck Nogueira, Valdo Matos, Valmiro de Jesus e os irmãos Enock, Maximiano e Elídio Argolo, constituíram-se em outros grandes valores para o comércio e para a sociedade coaraciense.
O quarteirão localizado entre a atual rua Sete de Setembro e a Av. Juracy Magalhães fora ocupado por grandes e ilustres representantes do nosso comércio como a Loja “A Predileta” as lojas “A Inovação e João Atala”, a padaria de Abelardo Rodrigues, a sapataria de Gerson Barreto e o consultório de Dr. Gilson Silva.


Resumo:
O povoado cresceu e ganhou a denominação de Vila de Guaracy. As ruas principais cresceram unindo-se na praça Caramuru, hoje Elias Leal. O Comércio começou a dar sinais de desenvolvimento com a chegada de empreendedores de diversas partes do estado e do nordeste. As primeiras linhas de transporte entre a Vila e Ilhéus foram inauguradas e o governo de Getúlio Vargas e sua vinda à Ilhéus causou grande movimentação na região. A Vila estava em pelo desenvolvimento.

 

 

 

 


Rua JJ Seabra, antiga rua da Palha no dia da Inauguração do Banco do Brasil


Getúlio Vargas ao lado
do então prefeito de Ilhéus Pedro Vilas Boas Catalão


A Praça Eusinio Lavigne
onde corriam as notícias


Marinete que ligava
Guaracy à Ilhéus


Rua Rui Barbosa com
diversas casas comerciais

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