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História - O Cinema

A importância do cinema na história de Coaraci
Um tempo diferente - Num tempo onde não existia televisão, computador, telefone, a estrada Coaraci-Itajuípe era uma trilha em meio ao matagal um meio de diversão e lazer marcou forte presença no nosso até então povoado de Macacos. O cinema representou um lazer de enorme importância, principalmente nos finais de semana, onde pessoas vinham de toda a região para assistir a algum filme ou seriado. Coaraci teve três cinemas ao longo de sua história, um deles o Cine Teatro Coaraci foi considerado uma obra avançada para a vila, inclusive o seu projeto seguiu linhas do Cine Teatro Ilhéus, localizado na sede do município na oportunidade. Os filmes chegavam por aqui através das linhas de marinetes e posteriormente pelos ônibus da Sulba que ligavam Coaraci à Ilhéus. Eram exibidos num dia e reprisados no outro, rassaltando a importância das matinées que eram reservadas ao público com idade a partir dos 7 anos e eram realizadas nas tardes de domingo. Crianças estas que desde as primeiras horas da tarde já se encontravam nos arredores dos cinemas a espera da seção.
Muitos freqüentadores e quatro seções diárias - Era surpreendente o número de freqüentadores nas salas dos cinemas de Coaraci. Para a escolha de qual cinema ou qual filme assistir, os mais privilegiados em amizade com o porteiro conseguiam entrar rapidamente para dar uma olhada na platéia, a depender decidiam se ficavam ou partiam em busca de outro cinema. Outros não ligavam para o filme, queriam mesmo era estar lá dentro. O anúncio da programação era feito inicialmente por placas de metal espalhadas pela cidade e reforçadas pelo serviço de alto falante da cidade. O requinte e o luxo predominavam nas seções noturnas, pois os freqüentadores se dirigiam ao cinema com roupas bem dispostas e sequer tiravam seus chapéus. Houve um época em que haviam quatro sessões durante o dia, sendo uma pela manhã, duas pela tarde e a tradicional da noite. Antes de cada sessão os grupos de amigos e estudantes se formavam pelos arredores dos prédios.
Os mesmos filmes das capitais estavam por aqui - Foi um imenso privilégio para os nossos moradores daquele tempo, pois eram exibidos os mesmos filmes que se encontravam em qualquer capital do mundo, numa pequena vila, com ruas de chão batido, mas a poucos metros de suas casas e em meio a pessoas do grupo de amizade. “O cinema foi sem duvidas para Coaraci uma escola e teve fundamental importância no comportamento dos moradores de nossa cidade” cita Enock Dias no livro "Coaraci: O Último Sopro".
Estudos e comportamento eram fatores decisivos - No sete de setembro, a cada ano o Cine Glória exibia pela tarde uma sessão gratuita para alunos uniformizados e acompanhados de seus respectivos professores. Alguns pais da época aproveitavam a euforia do cinema para exigir boas notas e um bom comportamento por parte dos filhos. Surgiu assim um exército de “comportados”, pois ninguém queria perder aos filmes e seriados.
Alípio de Souza Guerra, ele trouxe o cinema à Coaraci - Por volta do ano de 1925, cerca de seis anos de fundado o povoado que deu origem a Coaraci que conhecemos hoje, na região onde tudo começou próximo ao Jardim Beira Rio, chegava a pequena localidade um cidadão chamado Alípio de Souza Guerra. Ele que ao longo de seu estabelecimento se dedicou ao transporte de mercadorias em canoas pelo curso do rio Almada e ao comércio através da loja “A Sergipana” adquiriu em sociedade com José Bento a obra da construção do primeiro cinema de Coaraci das mãos de um cidadão de Pirangi (hoje Itajuípe). O prédio situava-se nas proximidades onde hoje encontra-se instalada a Móveis Star (Foto atual ao lado), a este cinema foi dado o nome de Rio Branco.

O primeiro cinema, um dos 20 primeiros do Brasil
O Cine Rio Branco deu inicio a suas atividades em 1934, e tinha como meio para a chegada dos filmes à cidade a precária estrada Coaraci – Itajuípe – Ilhéus em chão batido. Com o rebaixamento da Rua da Palha, hoje calçadão Rui Barbosa o Cine Rio Branco ficou encravado no alto de um morro e foi improvisada uma escada em madeira rústica para acesso ao prédio, trazendo desta forma bastante perigo para os freqüentadores. Como o cinema precisava de energia para funcionar Alípio foi também o responsável pela primeira lâmpada acesa na cidade, através de um pequeno motor que fornecia energia ao cinema e aos circos que chegavam na cidade, para estes desde que não chocasse os horários dos espetáculos para com os do cinema. Os últimos vestígios do Cine Rio Branco ainda eram vistos nos anos de 51/52, já em estado de total abandono. Hoje encontra-se construído no seu lugar um moderno prédio com três andares onde funciona a loja Móveis Star.
Curiosidades do Cine Rio Branco - Certa vez, Quininha, filha de Timóteo entrou para a história. Foi na primeira exibição, ela empolgada com o filme, no momento em que um dos personagens procurava um bandido para matá-lo, ela gritou no meio do cinema “está atrás da carroça”, fato que fez com que a projeção fosse interrompida e as luzes acessas. Até recentemente fora registrada a residência dela na cidade de Belo Horizonte.
O Cine Teatro Coaraci - Em torno de 1944 entrava em operação o Cine Teatro Coaraci, este com cerca de 440 poltronas, galeria e palco. Este cinema teve ainda o nome de Ana, Hage e por fim Lourival Batista, que após partir para o Belém do Pará deixando a direção do cinema com seu genro foi homenageado na nomenclatura do lugar. Até 1995 chegaram a ser exibidos cerca de 5000 filmes.
O Cine Glória - Este deu inicio ás atividades por volta de 1949, num prédio projetado para ser cinema, este que caiu na simpatia da classe mais nobre de Coaraci. Localizado na rua Rui Barbosa, onde hoje existe uma academia, o Cine Glória sempre se destacou por sua excelente programação. Uma bela cortina fortalecia o glamour do cinema, quando as luzes se apagavam ela se abria sobre a tela. Em 10 anos de existência estima-se que o cine Glória tenha exibido cerca de 2500 filmes.
A decadência e o adeus ao Cinema - Todos os esforços foram inúteis para trazer de volta a realidade do cinema em Coaraci, os avanços tecnológicos, o surgimento da televisão, foram diversos os motivos para a decadência do cinema. Os tempos já eram outros e o dinheiro estava ficando cada vez mais escasso. O Cine Teatro Coaraci (já com o nome de Lourival Batista) foi o único que restou, funcionando até o inicio da década de 90, um dos últimos filmes exibidos foi o infantil “O Rei Leão”, onde apenas cerca de 50 pessoas estavam presentes, as aranhas tomavam conta do prédio, o escuro das paredes negras já desbotadas e soltando pedaços eram vistos por uma população que tanto fez uso de tal meio de entretenimento. O Cine Teatro Lourival Batista funcionou ainda como palco para apresentações teatrais do Colégio do Educandário Pestalozzi e da Escola Monteiro Lobato, dentre outras.
O último gerente do Cine Lourival foi Telmar Mello, hoje atuando no Cine Santa Clara em Ilhéus, ele que aos tombos e barrancos levou o prédio em funcionamento até chegar à sua venda em 1998 para a Igreja Universal do Reino de Deus. Fala-se que o proprietário tentou vender o prédio para o domínio da prefeitura municipal, mas o administrador da época alegou a escassez de recursos nos cofres públicos para o fechamento do negócio.
O Futuro do Cinema em Coaraci - É incerto. O único prédio que restou foi o que abrigou a Igreja Universal, mas hoje já nem atende aos anseios da igreja. Seria necessária um negociação de cunho histórico e cultural com tal instituição para que o prédio voltasse a abrigar uma sala de cinema. Como hoje em dia as salas de cinema são formadas por apenas 150 a 200 lugares haveria possibilidade de se dividir o grande salão em dois, ou até mesmo em uma sala e uma área de espera mais ampla. Seria preciso adquirir um projetor novo e com as novas tecnologias de som e imagem que estão presentes nos modernos cinemas, que surgiram no final dos anos 90.

Starplex Cinemas - O cinema mais próximo de Coaraci
Como Coaraci sofreu com a crise do cinema no Brasil tendo perdido a sua única sala de exibição para o funcionamento de uma igreja, passamos um bom tempo sem a atração da grande tela, até que em 2001 foi inaugurado o Starplex Cinemas no Shopping Jequitibá em Itabuna, com duas salas de exibição nos novos padrões do cinema mundial, fato que trouxe de volta a magia do cinema para a região, contudo inecessível para muitos, devido ao custo dos ingressos e também do deslocamento em 40 Km para o município de Itabuna.
O Starplex Cinemas traz sempre lançamentos em rede nacional de exibição gerando nos espectadores locais uma grande expectativa em torno da 1ª seção. O complexo é formado por duas salas, cada uma com 230 lugares, uma área para venda de guloseimas e muita pipoca e um pátio de entrada dotado de vários cartazes dos futuros lançamentos.


 

 

 


Av. Juracy Magalhães,
ao fundo visão do principal
cinema da cidade


Placa com horários e filmes
na praça Getúlio Vargas


Cine Coaraci, o que
mais tempo funcionou

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